Um caminho para guerreiros

Por Val Rocha
O Caminho do Guerreiro acabou de terminar. Isso significa que um grupo de jovens fechou um ciclo durante o qual conheceram novas pessoas e, principalmente, conheceram novas facetas de si mesmos.
Fazendo uma reflexão sobre o Caminho do Guerreiro, vejo que a cada vez que acompanho esse processo, fecho também um ciclo em mim: me aproximo mais do propósito que me move, compreendo melhor a minha função/contribuição no mundo e percebo como posso aumentar as chances do Caminho do Guerreiro ser mais do que um processo seletivo, mas um processo de aprendizagem… E foi por isso que decidi escrever este artigo, para compartilhar os aprendizados que tive do lado de cá desta jornada.
Quando começamos a receber as inscrições para o GSA, um novo mundo se abre para mim através de janelas, que são pessoas vindas de diferentes partes do mundo, de diferentes realidades e com diferentes expectativas. Em comum, a vontade de transformar o mundo e a certeza de trazer em si, uma contribuição para essa transformação.
Pela segunda vez seguida, percebo nos jovens que participam no Caminho do Guerreiro um grande potencial para sonhar, um conjunto de habilidades úteis e um histórico de formação invejável, acompanhados algumas vezes, de uma dificuldade de colocar em prática todos esses recursos para alcançar o objetivo desejado. Meu papel nesse caminho é estimular estes jovens a darem o primeiro passo em direção à implementação das suas idéias. Parece muito simples dito assim, até obvio, mas quando colocamos na balança o nível de perfeccionismo destes jovens, o medo de julgamento e a percepção generalizada de que “mudar o mundo” não é uma missão fácil, o desafio pode se tornar desestimulante e intimidador.
Diante destes obstáculos, é comum encontrar desculpas para evitar a dor e a frustração: o tempo é insuficiente, o desafio é grande demais, as pessoas não querem cooperar, etc. O fato mais importante a ser lembrado neste ponto é que o desafio do Caminho do Guerreiro é aberto e cada pessoa é senhora das suas ações, responsável por definir que caminho irá seguir: O que você pode fazer, em 10 dias, com os recursos disponíveis, para transformar uma realidade da qual você faz parte?
É preciso lembrar as “armas secretas” de que dispomos e que fazem toda a diferença:

  1. Mudar de estratégia é possível – É preciso explicar que não estamos em busca apenas de estratégias vencedoras. Mais importante do que tudo estamos em busca de jovens com coragem de arriscar e apostar na transformação de uma realidade. Flexibilidade para reconhecer o momento de mudar de estratégia é uma habilidade importantíssima na vida, e no Caminho do Guerreiro não é diferente. É por isso que diante do pedido para mudar a ação, o foco, ou a direção durante o jogo, eu respondo sempre da mesma forma: É essa a sua melhor contribuição para transformar esta realidade com os recursos disponíveis? Se é nisso que você acredita, justifique e vá em frente!
  2. O Caminho do Guerreiro inicia um processo que pode ser continuado – Por mais importante que o programa Guerreiros Sem Armas seja para nós, a realidade de uma comunidade é sempre a prioridade. A ação iniciada durante o processo seletivo envolve pessoas e os seus sonhos, e não precisa ser limitada pelos prazos do processo. Um recorte que envolve uma ação do empreendedor pleiteando uma vaga no programa, sim,  precisa ser documentado e apresentado seguindo os prazos do jogo. É muito comum que a ação iniciada tenha diversos desdobramentos que vão além do período do jogo.
  3. Não é preciso fazer nada sozinho – Mesmo sendo difícil compreender isso, o Caminho do Guerreiro não é um processo competitivo. É verdade que é através deste jogo que selecionamos jovens para o programa, avaliando quais destes jovens têm o perfil para participação no Guerreiros Sem Armas, assim como descobrimos com quais habilidades esses jovens podem contribuir para o programa. Mas fazemos isso observando, por exemplo, a capacidade para fazer coisas juntos (cooperação) e a habilidade para inspirar pessoas a realizarem ações (articulação e mobilização de redes).

Todas as vezes aprendo uma lição com os jovens do Caminho do Guerreiro, e desta vez não foi diferente. De tudo, o que mais me marcou foi a percepção de como as pessoas podem se surpreender com o seu próprio poder realizador e como essa percepção é capaz de alimentá-las e inspirá-las a se tornarem, cada vez mais, a melhor versão de si mesmas.

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