GSA 10: A gente sonha e trabalha por um mundo sem fronteiras

15/07/2017 | Ricardo Oliveros | Blog | Tags: Tags:, ,

CARD Fronteiras

Desde 11 de setembro de 2001, todas as regras sobre ir e vir de um lugar para outro mudaram em muitos lugares do mundo. A segurança é uma das principais razões pelas quais as pessoas com certos tipos físicos ou roupas são proibidas de deixar seus respectivos países ou são impedidas no setor de imigração do aeroporto.

Ao mesmo tempo, estamos vivendo grandes ondas de migração e refugiados. De acordo com um relatório divulgado pelo ACNUR em 2017 em todo o mundo, o deslocamento forçado causado por guerra, violência e perseguição atingiu o maior número já registrado. A nova edição do relatório “Tendências Globais”, a maior pesquisa de deslocamento da organização, revela que no final de 2016 havia cerca de 65,6 milhões de pessoas obrigadas a abandonar seus locais de origem para diferentes tipos de conflitos – 300 mil a mais que o ano antes.

Este total representa um grande número de pessoas que precisam de proteção em todo o mundo.

Na décima edição dos Guerreiros Sem Armas, lidamos com esse cenário de forma muito direta. No início do programa, tivemos sérios desafios para trazer quatro guerreiros africanos vieram ao Brasil. Mesmo com um visto cortesia emitido pela Agencia Brasileira de Cooperação do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, um participante do Togo foi impedido de embarcar assim como dois outros participantes do Zimbabue enfrentavam o mesmo problema ao embarcar seu voo de conexão em Joanesburgo (África do Sul) para o Brasil.

Esta situação é fruto do agravamento do atual cenário de alta proteção sobre as fronteiras, com os novos muros separatistas sendo construídos, o que permitiu que companhias aéreas proibissem o embarque de pessoas a partir de uma lista com descrições de perfis de risco, como uma própria funcionária da companhia aérea nos informou por telefone.

Os Guerreir@s Sem Armas do Zimbábue ficaram retidos em Johanesburgo por três dias, três tentativas de embarque, onde somente depois de um imenso esforço da equipe de Elos, o apoio incrível de um Guerreiro Sem Armas sul-africano local, da Embaixada Brasileira, Agência Brasileira de Cooperação, 50 ligações telefônicas, a transferência US$ 2000, por exigência da companhia aérea, e várias noites sem dormir, eles chegaram ao Brasil no 4º dia do nosso programa.

Outra situação, que não teve o mesmo final feliz. Um refugiado do Congo, que está atualmente no Quênia, tentou durante mais de 50 dias tirar seu passaporte. Nossa solução foi convidá-lo para o programa em 2018.

Enquanto neste momento do mundo há uma grande ruptura e uma cultura que reafirma a separação, ao mesmo tempo, há outra realidade em que há uma grande quantidade de pessoas e organizações envolvidas em movimentos sociais, como em nenhum momento da história. Hoje temos muitas pessoas comprometidas com soluções inovadoras e os movimentos de base estão se tornando cada vez mais em evidência.

Estes movimentos, no qual estamos alinhados, na intenção de construir um mundo mais justo com as fronteiras mais fluídas, aumentam o nível de uma consciência que estamos tod@s interligad@s, compartilhando uma sabedoria ancestral que vai além de todas as fronteiras.

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