Festival Em Movimento reúne jovens interessados em projetos sociais

14/02/2017 | Ricardo Oliveros | Blog, desenvolvimento local, Responsabilidade Social | Tags: Tags:, , , , , , , , , ,

Ricardo Leal do Instituto Arapyaú, e a pessoa que resolveu juntar as organizações que trabalhavam com jovens para sentar e conversar a cerca de 2 anos atrás, esteve no Festival Em Movimento:

“Nós queremos criar uma via de mão dupla para cuidar que os projetos com os jovens aconteçam da maneira que a gente acredita. Este é um espaço de escuta entre as organizações financiadoras e financiáveis e dos jovens com as organizações”.

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Hoje temos as frentes de trabalho do Em Movimento:

  1. Plataforma com o Mapa das Iniciativas, onde o jovem pode ver quais os projetos que ele pode entrar, de acordo com seu perfil.
    2. Festival existe para construir redes de atuações com os jovens. Uma das perguntas que permeia o evento é: quem deveria estar aqui e não está?
    3. Inteligência criativa que é pensar coletivamente sobre a prática com os jovens, através de encontros, imersões temáticas, publicações.
    4. Potencializar a sustentabilidade das organizações. Como pensar na sobrevivência financeira sem que se torne uma prestadora de serviço e não consiga cumprir seu propósito, é uma das perguntas-chave desta frente.
    5. Coletivo de Comunicação que tem como função fazer a ponte entre os jovens e o Em Movimento.

Em Movimento reúne há 2 anos organizações que trabalham com jovens, como a ArtemisiaAshoka BrasilÉnois, Fundação Arymax, Fundação Telefônica Brasil Vivo, Impact Hub São PauloInstituto Arapyaú, Instituto Elos, Noetá Red Bull Amaphiko

Abertura em círculo

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“Tem um ingrediente especial no trabalho com música circular que eu demorei pra entender qual era. É o aspecto relacional. Demorei anos pra sacar isso, mas, depois que saquei, comecei a investir mais conscientemente nesse pilar e vi muitos resultados incríveis. Hoje em dia, os dois pilares principais pra gente são: o Musical e o Relacional. E, com eles, a gente joga, brinca e se diverte. Porque fazer música sem pensar no aspecto relacional parece uma coisa meio incompleta. E ”Relacional” pra gente são as interações que os jogos promovem entre as pessoas. As mãos dadas, o contato físico, o olho no olho, a construção coletiva. Tudo isso vai criando um outro jeito de fazer música. E, com esse jeito, a gente busca 3 objetivos: profundidade, leveza e ludicidade. Como que isso tudo misturado poderia não ser uma gostosura?”

Com esse pensamento incrível do Pedro Consorte, que ao lado do Ronaldo Crispim, leia Música do Círculo, literalmente colocaram todos os jovens #emmovimento.

Qual o perfil do jovem

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A segunda atividade do Festival Em Movimento foi dividir os jovens em 4 perfis, que estão alinhados com o Mapa de Iniciativas (http://www.emmovimento.org.br/):

  1. Curioso que está buscando o primeiro contato com as organizações e seus projetos. O Instituto Elos ficou responsável pela atividade neste grupo,

Para Renata Laurentino, do Instituto Elos, o exercício com os Curiosos foi para que eles tivessem uma chance de olhar para si, reconhecer onde eles estão, e perceber onde estão os outros, Que podem fazer escolhas e pensar nas escolhas dos outros, como princípio a alteridade e diversidade, e assim, deixar de olhar o mundo dentro de caixinhas pré-concebidas. A maior parte destes jovens eram da Zona Sul, estudantes e que tinham como preocupação, melhores condições de ensino.
2. Buscando impulso, que são jovens que têm suas ideias e estão procurando apoio. A Artemisia fez a dinâmica com eles.

O grupo que procurava Impulso, tinha duas divisões: quem já tinha uma ideia clara de negócio social e quem tinha um sonho sobre a área que queria atuar. Daniella Dolme (Artemisia) fez um exercício para que eles mapeassem seus recursos, entender quais são suas redes de contatos e como ativá-las, e que rapidamente depois que entendem esse processo começaram a aplicar entre eles mesmos esta atuação.
3. Em exploração, que são aqueles que estão experimentando diferentes formas de atuação. A Ashoka Brasil cuidou deste encontro.

A Ashoka Brasil​ usou sua expertise em estimular empreendedores sociais e colaborar para que os jovens que estão experimentando com uma oficina sobre empreendedorismo social, inspirando a pensar possibilidades de atuação neste campo em cenários complexos.
4. Atuante, que está engajado em projetos sociais. O Impact Hub São Paulo coordenou estes jovens.
Para os Engajados, a principal preocupação é com a profissionalização da área e a busca de capacitação para os projetos sociais. “ A maioria acredita que as organizações que trabalham com jovens há muito tempo, têm muita resistência para mudança, e que deveriam aprender com o espírito jovem e ficar mais próximo daqueles que elas apoiam”, relatou João Vitor Caires do Impact Hub São Paulo

Oficinas para inspirar

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Uma das parte mais interessantes do Festival, foi convidar diferentes organizações que trabalham com jovens para darem oficinas práticas para que os participantes percebessem a diversidade de áreas que eles podem atuar. Estavam presentes: Acupuntura UrbanaAporé , Atados – Juntando gente boaJuntos.com.vc., Bem ComumCHOICEEngajamundo, Fastfood da Política, Escola de NotíciasPimp My Carroça.

Acupuntura Urbana partiu da ideia de mapeamento da cidade e pertencimento afetivo para discutir projetos para as cidades. Renata Minerbo e Andrea procuraram desmistificar a ideia que somente projetos grandes tem o poder de transformação, e que as pessoas podem se juntar para começar já alguma coisa. O que nosso olhar e experiência na cidade tem a ver com empreender? Descubra mais sobre esse universo aprendendo na prática, usando a criatividade e colocando a mão na massa!

Bem Comum – Já pensou o quanto processos de confiança entre grupos potencializam a sintonia e, consequentemente, o desenvolvimento das pessoas? Venha participar de uma experiência prática e inovadora em que todo mundo ganha!

Atados e Juntos.com.vc – Como podemos ajudar a realizar um sonho? Venha criar uma ação ou projeto a ser realizado aqui e que irá apoiar e potencializar a construção de uma escola no Haiti. A Gene é haitiana e professora de francês, chegou no Brasil em 2015 e seu sonho é reconstruir uma escola no Haiti que foi destruída por um furacão em 2016. Para realizar esse sonho iremos desenvolver essa atividade com a Juntos.com.vc e com vocês!

Aporé – Uma oficina para descobrir talentos, entender o papel de cada um no mundo e como aplicar tudo isso para uma carreira de sucesso com propósito.Vamos fazer diversas conversas e reflexões com os jovens sobre o que é propósito e nesse caminho de autodescoberta cada um criará um mapa para chegar a seu propósito e seu plano de ação para atingir seus objetivos.

Choice – Esse é um workshop mão-na-massa! A proposta é usar a criatividade para criar soluções para problemas reais da nossa sociedade. Começamos com uma breve apresentação sobre a situação de pobreza e desigualdade social no Brasil e sobre o conceito de negócios de impacto social. Em seguida, os participantes trabalham com a geração de ideias para cocriar um modelo de negócio de impacto social e, pra fechar o encontro, apresentamos um caso de sucesso, contando a história de um empreendedor e como ele resolveu o problema proposto.

Engajamundo – Sabia que existem pessoas tomando decisões sobre o seu futuro e presente as portas fechadas? Sim, quase todos os acordos, de mundiais a locais, definem a vida de milhares de pessoas e a gente acaba nem tomando nota. Já pensou em mudar essa realidade e tornar o mundo um lugar mais sustentável? O Engaja na Solução quer te mostrar que para mudar a realidade da sua comunidade, do seu município e do seu estado basta sair do sofá e se movimentar! Este jogo vai te conectar a sua realidade com questões globais mostrando a a você os caminhos que existem para ser parte da solução dessas questões.

Fastfood da Política – Pense num assunto complicado – mas muito importante. Por exemplo… Política? Acertou em cheio. Agora, imagine aprender um monte de coisas sobre esse assunto – que poderia ser qualquer outro – na mesma velocidade com que comeria um hambúrguer? De quebra, é claro, com aquele gostinho de quebra-rotina. Sabe como? Jogando!

Escola de Notícias -Já pensou que a sua história está conectada com vários níveis de relação? Que a rua onde você anda, sua conexão familiar, as escolas que te ensinam, tem a ver com quem você está no mundo? Vamos descobrir juntos como a comunicação, impulsiona transformações nos espaços e relações.

Pimp My Carroça – vai levar 2 carroças e catadores. 1 já linda maravilhosa e a outra sem nada. Vai rolar um Pimpex, que será mais de conscientização e conversa com catadores. Em 2 horas, desafiamos os participantes a irem para rua ou criarem uma campanha, que ao final ajude a dar mais reconhecimento aos catadores, aumentando sua demanda de coleta de materiais recicláveis e, portanto, sua renda.

Para encerrar com chave de ouro o Festival Em Movimento teve um bate papo que foi transmitido ao vivo pelo Facebook, sobre Cultura e expressão na cidade de São Paulo. Com a participação do MC Gugu, a galera da Batalha do Conhecimento, e MC Sofia.

 

#emmovimento lança mapa de iniciativas para jovens

1/09/2016 | Ricardo Oliveros | Blog, desenvolvimento local, Responsabilidade Social | Tags: Tags:, , , , , , , , , ,

Diversas organizações que atuam com o propósito de inspirar e impulsionar a juventude se uniram para formar o #emmovimento, que tem como objetivo potencializar os caminhos de desenvolvimento e engajamento de jovens, lançaram o “Mapa Em Movimento”, uma plataforma criada para apoiar o jovem que está em busca de transformação. Para isso,  o conteúdo é formado por uma lista das organizações distribuídas por todo território nacional, que trabalham com projetos voltados para esta faixa etária.

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O Mapa é o resultado de uma pesquisa abrangente.  Ele faz parte da proposta do grupo em mapear as iniciativas. O que as organizações estão fazendo, como, para quem e onde? Quais são as oportunidades atualmente ofertadas para esses jovens transformadores? Como amplificar essa informação para mais gente? Onde há sobreposição na nossa oferta? Onde há espaço para inovação? Essas foram algumas perguntas que o mapeamento buscou responder.

Com isto os jovens têm a oportunidade de procurar iniciativas de diferentes frentes:

Formação (cursos, profissionalização, etc.);

Experiências (vivências, voluntariados, etc.);

Encontros (workshops, eventos, etc.), por região do país ou áreas de atuação.

Dentro de cada iniciativa, há mais detalhes sobre a proposta. Entre eles o resumo do projeto, local de atendimento, como se inscrever, como é o envolvimento/dedicação, contatos, se é paga ou gratuita, entre outros dados.

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João Vitor Caires, diretor do Impact Hub São Paulo é um dos participantes do grupo. Ele ressalta que a proposta é oferecer um espaço para que os jovens entrem em contato com as oportunidades de forma estruturada e se envolvam com as mesmas. Além disso, é permitir que as instituições que trabalham com juventude possam apresentar suas ações, se conheçam, troquem conhecimento e fortaleçam o trabalho umas das outras.

“É importante que as organizações saibam quem também está realizando iniciativas similares a sua. Saber quais são os desafios comuns enfrentados etc. Estes dados, inclusive, são insumo para as entidades financiadoras. Para que saibam onde e como direcionar melhor o seu investimento”, opina João.

Já estão disponíveis no site mais de 80 organizações cadastradas e 139 ofertas para os jovens. Outras interessadas em participar, que tenham iniciativas direcionadas a jovens com o objetivo de desenvolver o espírito transformador dos mesmos, podem entrar na plataforma e se inscrever.

Qual o perfil dos jovens atendidos pelas organizações

Pela perspectiva das iniciativas, os jovens que buscam essas ofertas fazem parte dos seguintes perfis: Atuante (está conectado, engajado); Curioso (buscando um primeiro contato); Em exploração (experimentando possibilidades); Buscando impulso (tem seus objetivos e está procurando apoio para si e seus ideais); e Jovens fora do radar (em situações especiais diversas).

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A pesquisa identificou, por exemplo, que um jovem atuante, tem como principais motivações fazer a diferença no mundo, conhecer coisas novas e adquirir vivências e experiências. Estes são aqueles que buscam oportunidades como a “Escola de Jornalismo É Nóis”. Iniciativa que oferece ferramentas para que o jovem analise criticamente a mídia, estimulando a busca por informação e a investigação sobre diversos temas.

Segundo o levantamento, ampliar o repertório e visão do mundo são os maiores incentivos dos jovens que participam das ofertas mapeadas. Os temas que mais movem os jovens, de acordo com os programas pesquisados, estão ligados a vivências e conhecimento. Em todos os perfis, as maiores motivações são: adquirir vivências e experiências; conhecer coisas novas; aprofundar-se em um conhecimento; autoconhecimento e carreira e profissão.

“Percebemos que os jovens estão se movimentando muito, fazendo coisas. O que precisamos é justamente entender essa lógica, os caminhos que escolhem e as formas de atuação para poder ajudar. E isso passa pela autonomia, pela temporalidade, pela rapidez com que mudam. Características típicas da juventude”, comenta Ruth Goldberg, diretora executiva da Fundação ARYMAX, integrante do grupo.

Atualmente, as organizações componentes do #emmovimento são: Artemísia, Ashoka, É Nóis, Fundação ARYMAX, Fundação Telefônica Vivo, Impact Hub São Paulo, Instituto Arapyaú, Instituto Elos e Red Bull Amaphiko.

Jovens Talentos 2015 da Arymax colocam a mão na massa na Horta Bons Frutos

4/11/2015 | Ricardo Oliveros | Blog, desenvolvimento local, Linha do Tempo Elos, permacultura, Responsabilidade Social | Tags: Tags:, , , ,

Nos dias 31/10 e 01/11, os Jovens Talentos 2015 da Fundação Arymax e o Instituto Elos realizaram um mutirão na Horta comunitária Bons Frutos, localizada no Caminho da União – Jardim São Manoel. Os 13 jovens participantes do programa, e a equipe Elos fortaleceram ainda mais os sonhos das mulheres da comunidade.

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“Quando o Elos nos contou que teria um Mão na Massa no final de semana com alguns voluntários, duvidei se dariam conta do trabalho, mas estou super feliz de me surpreenderem e ver tudo o que já fizeram por aqui”, comentou Simone, moradora da comunidade e uma das empreendedoras da Bons Frutos.

Além de preparar o plantio das novas mudas, eles criaram canteiros, jardins e hortas verticais, pintaram os muros (interno e externo), finalizaram a construção do quarto de ferramentas e sementes; venderam os pés de legumes e verduras; e iniciaram o trabalho da colheita de orgânicos com os moradores da comunidade.

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No programa deles de um ano, os jovens têm algumas imersões e essa foi a última do programa de 2015. Um marco importante para eles, como grupo, e para o Elos, como fechamento de um grande envolvimento desde o processo seletivo, que utiliza o Caminho do SIM, além dos encontros presenciais , e contato com os jovens durante o ano, em uma parceria com a Fundação Arymax, que começou em 2013.

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“A realidade que vivemos juntos nesse final de semana, só mostra como temos muito trabalho para fazer e como podemos trabalhar juntos para realizar o que queremos. É um grande presente estar aqui com o Elos novamente”, comentou Elissa Fichtler, da Fundação Arymax.

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Com esta ação, foi possível fortalecer os laços entre os participantes do  programa, e eles reconhecerem no grupo os talentos e recursos para futuros projetos, como podemos observar nos comentários dos participantes:

“Meu maior aprendizado e o que levo deste final de semana são as relações construídas com as mulheres da horta e ver o quanto eu aprendi convivendo com elas em dois dias”.

“Me marcou o tour que fizemos na comunidade. Vi tantas belezas aqui na horta e ao mesmo tempo tanta coisa a ser feita na comunidade aqui perto. Saio satisfeito em poder acompanhar todo o processo da alimentação, desde a criação dos canteiros, a plantação, colheita e venda para moradores”.

“Este final de semana foi essencial para nosso desenvolvimento como grupo, já que está sendo nossa última imersão juntos. Saio feliz e muito agradecida”.

Realizando sonhos coletivos, a história do Jardim Brasília

23/07/2014 | Val | desenvolvimento local, Responsabilidade Social | Tags: Tags:, , , , , , , ,

*por Val Rocha

Cada Oasis é uma história, recheada de sonhos e talentos. Não é diferente com o, uma comunidade na Zona Norte de São Paulo com 1.500 moradores, que através de encontros e desencontros foi construindo uma história maravilhosa com o Elos e outros parceiros.

Em 2013, nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez quando estávamos em busca de uma comunidade para realizar um projeto com um parceiro que, depois, deu pra trás. Mas já era tarde… o encanto do Jardim Brasília já haviam capturado Fernando Conte e Flavia Ramos da equipe Elos, e foi por isso que eles assumiram o desafio de realizar lá o seu primeiro Oasis (saiba tudo sobre o Oasis Jardim Brasilia aqui!). Eles estrearam em grande estilo, trabalhando com uma comunidade que tem sonhos coletivos grandes: eles sonharam construir uma ponte de 23 m sobre o córrego que corta a comunidade. Além de uma organização e distribuição de tarefas profissional, eles captaram recursos equivalentes a R$ 10 mil.

A história do jardim Brasilia remete à década de 1990, época em que grandes projetos foram construídos em regime de mutirão. Esta comunidade nasceu assim: da união de um grupo de pessoas que sonhava em ter um teto e que deu o seu melhor, trabalhando duro até materializar o sonho. Visitar o Jardim Brasília e caminhar por suas ruas ao lado dos moradores é aprender sobre esta história e se apaixonar por cada pedacinho dela. Talvez por isso, o encontro entre o Elos e o Jardim Brasília tenha dado tão certo: ambos nascidos de uma história de realização de sonhos.

O mundo dá voltas, e foi numa destas que voltamos à esta comunidade com o desafio de apoiar o processo de desenvolvimento dos jovens participantes do Programa Jovens Talentos ARYMAX (PJT). Era um dia frio e chuvoso quando o grupo de 13 jovens chegou à comunidade ainda tímido com o objetivo de apoiar a materialização de mais um sonho coletivo: limpar a margem do córrego e criar ali um jardim. Parecia simples, e foi. Antes do final das 48 horas que permanecemos lá, aconteceu muito mais do que isso!

Uma montanha de terra cedeu espaço a um canteiro com uma quantidade imensa de plantas doadas, pneus descartados foram utilizados para delimitar o espaço e um grupo cansado, encharcado e feliz celebrou o que foi realizado. Quando partimos, já era noite e cada um levou consigo as lembranças e a reflexão do que acabara de acontecer. Mal sabíamos que aquele foi só um recomeço: novos sonhos ganharam força ali.

Algumas semanas depois, na primeira reunião comunitária, a comunidade apareceu em peso e decidiu construir um novo centro comunitário para um dos conjuntos habitacionais – o único que ainda não possui uma sede. Parece um sonho grande, mas conhecendo eles, sei que são capazes de realizar, assim como fizeram tudo o mais a que se propuseram até hoje. O que me alegrou, me encantou e surpreendeu, é a mesma coisa que também fortalece e alimenta a minha crença no que faço e no poder que temos quando nos colocamos em movimento para realizar o mundo que sonhamos a despeito do medo, a despeito das previsões pessimistas.

A primeira vez que fui ao Jardim Brasília, saí de lá com algumas frases na cabeça, que foram repetidas inúmeras vezes, por pessoas diversas, em momentos diferentes: “Os jovens daqui não participam”, “Não sei o que fazer para que os jovens venham”, “Que bom ver vocês aqui, não entendo porque os nossos jovens não se juntam a nós”;

Naquele dia, encontrei no meio de todas as reclamações e queixas, o primeiro sonho – e isso nunca se esquece: aquela comunidade sonhava em ter jovens ativos participando do processo, e sonhava em compartilhar com eles a sua história. Sai de lá com um misto de alegria por reconhecer o sonho e frustração por não tê-lo visto realizado. Estes sentimentos foram e voltaram inúmeras vezes até a semana passada, quando recebi uma mensagem do Fernando Conte pelo whatsapp, que dizia:
Definimos o nosso próximo passo elegante: OS JOVENS estão organizando um baile da 3a idade para celebrar os idosos que construíram as casas no mutirão que durou 11 anos.
A mensagem não terminava ali, mas foi nesse ponto que o meu coração parou para celebrar um sonho realizado.

Construir praças e parques nunca foi o objetivo do Jogo Oasis. Estamos falando de construir relações humanas profundas, fortes o suficiente para apoiar cada ser humano a ser a sua melhor versão, e desta forma, realizar o mundo que todos sonhamos aqui e agora.

Isso é possível e foi esta a lição que aprendi no Jardim Brasília.