Festival Elos: o sentido de comunidade

16/10/2016 | Ricardo Oliveros | Blog, desenvolvimento local, Linha do Tempo Elos, Responsabilidade Social | Tags: Tags:, , , , ,

Aristóteles, filósofo da Grécia Clássica, distinguia a necessidade própria dos homens de viver em conjunto, onde o homem, imperfeito e carente, encontrava a sua forma integral na comunidade, sendo então um animal politico. Do grego  koinonía (comum), surge a essência nas relações cristãs que vinculam o “um” com os “muitos”, levados a constituir relações éticas no reconhecimento da relação com o outro, baseados numa organização comunitária. Os Aimarás estruturam sua forma de organização social e econômica através da unidade básica Ayllu (comunidade), sobre a crença da complementariedade entre pares opostos. O conceito de comunidade atravessa a maioria de culturas em diversos períodos, estruturando bases organizacionais e inspirando relações recíprocas de solidariedade em sociedades antigas e modernas.
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Quais os conceitos fundamentais da comunidade? O que podemos aprender das Comunidades Tradicionais? O que precisamos transformar em nós para impulsionar a vida comunitária? São algumas das perguntas que orientam a discussão na mesa de abertura: “Cultivar comunidades para construir o mundo que todos sonhamos”.
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Rodrigo Rubido (Instituto Elos)  foi nosso mestre de cerimônias, e abriu a primeira roda de conversa do Festival Elos falando sobre o sentido de comunidade: ” Aprendemos muito aqui nos Morros, os lugares que estão atrás dos cartões postais de Santos. Aqui tem um tesouro sobre o que é comunidade”.

Fez os agradecimentos para a CODESP, porque o Festival aconteceu porque nos inscrevemos para um edital. A ADM, que fez um aporte financeiro institucional no final de 2015. A Sociedade Melhoramentos da Nova Cintra; G.R.C.E.S. Unidos dos Morros; Direção, Coordenação Pedagógica e Professores das escolas Deputado Rubens Lara e Dr. Cyro Athayde Carneiro; SESC Santos; Unisantos, Unisanta, Unifesp, Unimonte. Prefeitura Municipal de Santos, em especial, ao Bezzi da Regional dos Morros e o Fabio da Secretaria de Cultura. E aos moradores da Nova Cintra, Santas Maria e Vila Progresso que vão receber os participantes durante os próximos dias!!!

Ele explicou que o Elos começou a ver comunidades em todos os lugares que a gente trabalha, pois tinham uma identidade comum: bairro, escola, empresa.

“O bom é quando tem um propósito em comum, quando um apóia o outro para a construção de um bem comum”.

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Kaka Wera, criador do Instituto Arapoty, e nosso abençoado e inspirador amigo, desde o princípio do Elos, e que esteve presente todos os Guerreiros Sem Armas, trouxe para a roda de conversa o termo tekoá, que significa aldeia guarani, ou ainda, comunidade boa para se viver.

Porém, ele não se refere apenas ao lugar habitado, a maloca, pelo grupo guarani. Literalmente, significa o lugar do modo de ser guarani, sendo esta categoria modo de ser (tekó) entendida como um conjunto de preceitos para a vida, que fazem parte das regras cosmológicas herdados pelos antigos guaranis.
Para construir a maloca é feita uma grande reunião para distribuir as tarefas, buscar recurso e fazer a construção. Tudo é regido por 4 grandes regras:

1. Respeito ao diferente
2. Respeito pela arte de fazer os acordos
3. Entender o profundo significado do que é família, e que não é composta apenas pelos laços consangüíneos, mas pelos moradores, os animais das redondezas, e o próprio lugar onde moram, que é considerado como ago vivo.
4. Reconhecer que somos todos interdependentes.

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Luis Kehl, é arquiteto e autor do livro “Uma breve história da favela”, começou dizendo na roda de conversa da abertura do Festival Elos que é preciso dançar a aldeia, antes de construir a aldeia.

A comunidade nasce de um compartilhamento da cultura, das histórias, da música, se não temos uma ideia em comum, não é possível construir uma comunidade.

Ele mostra através de dois desenhos, um com quadras todas iguais, com as casas no centro, e outro com casas espalhadas, tudo misturado e pergunta onde está a ordem e onde está o caos.

Para surpresa dos participantes, eles diz que o caos está naqueles lugares onde as quadras são todas iguais, como nos conjuntos habitacionais. pois é no caos que você não distingue uma coisa da outra, como as casas que são todas iguais.

A questão é que hoje a sociedade que foi construída por comunidades, poe vínculos comuns, foi substituída pela lógica do consumo. Não há laços afetivos, e sim, fidelização da marca. Como é importante reconhecer os lugares de resistência a estes modelos, como as favelas, a periferia, e os a áreas dos morros.

Assim como começamos o dia com a poesia do Arquimedes Machado, o Kehl terminou recitando a música “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, para mostrar como o consumo ficou no lugar do afeto:

Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contá
Que acá onde agora está
Esse aditício ardo
Era uma casa véia
Um palacete assobradado

Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mas um dia, nós nem pode se alembrá
Veio os homis c’as ferramentas
O dono mandô derrubá

Peguemos todas nossas coisas
E fumos pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza que nós sentia
Cada táuba que caía
Doía no coração

Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
Os homis tá cá razão
Nós arranja outro lugar
Só se conformemo quando o Joca falou:
“Deus dá o frio conforme o cobertor”

E hoje nós pega páia nas gramas do jardim
E prá esquecê, nós cantemos assim:
Saudosa maloca, maloca querida
Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de nossa vida
Saudosa maloca, maloca querida
Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de nossas vidas

O Festival Elos é uma parceria com a Codesp, e tem apoio da EC Juventude da Nova Cintra, G.R.C.E.S.Unidos dos Morros, Paróquia São João Batista, Subprefeitura dos Morros de Santos – PMS, Secretaria de Cultura – PMS, SESC Santos, Sociedade Melhoramentos Morro Nova Cintra, Unisantos. Apoio Institucional ADM

Não perca “Na Quebrada”, filme baseado em histórias reais de jovens da periferia

15/10/2014 | Ricardo Oliveros | Blog | Tags: Tags:, , , , , , , , , , , ,

Um filme que vai dar muito que falar é “Na Quebrada”, que mostra a luta e as escolhas de jovens que cresceram entre armas, crimes, e descobrem o cinema como um caminho para desafiar seus destinos. O mais forte de tudo, e que mesmo não sendo um documentário, o filme é baseado nas histórias dos jovens que participaram do Instituto Criar, fundado em 2003, pelo apresentador de TV Luciano Huck, e que promove o desenvolvimento profissional, sociocultural e pessoal de jovens por meio do audiovisual. na quebrada cartaz “Senti-me apoiado pelo olhar que o filme traz da realidade desses jovens. Acredito nas histórias de superação, mas é muito importante entender a dificuldade para isso e como tem muita coisa contribuindo para o contrário. Saí com um embrulho no estômago, mas o filme aumentou minhas esperanças de que mais pessoas entendam que ninguém nasce sonhando em ser bandido. Tem um contexto social, econômico, cultural e ambiental que contribui muito para isso, e nós somos responsáveis por ele”, reflete Rodrigo Alonso, co-fundador do Elos, que esteve na pré-estreia do filme, em São Paulo. http://youtu.be/ePV9kRYkI2g Para o Elos, o longa tem um sabor especial. Luciana Bobadilha, co-produtora executiva do filme, participou do GSA 2104. “Este filme levou três anos para ficar pronto, o que é um tempo curto para um filme. Vale lembrar que aprendi, tanto com o Elos, em especial no GSA, que depois de sonhar e colocar a mão na massa é preciso celebrar, e eu estou bem neste momento: celebrando!”. A celebração de Luciana é dupla, já que não se trata somente sobre o lançamento do filme, como também é um marco dos 10 anos do Criar. “Achei o filme de uma sensibilidade muito grande, um convite ao mergulho naquelas histórias, que ganha um contorno a mais, um respeito a mais por serem de pessoas de verdade. Um convite também para uma viagem em mim mesma e na minha história. De alguma forma, saí do filme me sentindo mais humana e muito próxima a outras centenas de milhares de vidas espalhadas por ai”, completa Val Rocha, coordenadora no Núcleo de Relacionamento do Elos, que foi na pré-estreia do filme em Santos. na quebrada 02 Participe da campanha Doe um ingresso Uma ação inédita que “Na Quebrada” se propõe é a campanha “DOE UM INGRESSO”.  Você sabia que mais de 50% da população brasileira nunca foi ao cinema? E mais de 90% dos municípios brasileiros não tem um cinem? Com apenas R$7,00 é possível contribuir para alguém experimentar a sensação de entrar numa sala escura de projeção e viver as grandes emoções que o cinema traz. http://youtu.be/BdiiMTcYU7c Serviço Estreia nacional: 16 de outubro de 2014 Direção: Fernando Grostein Andrade Elenco: Felipe Simas, Gero Camilo, Monica Bellucci, Jorge Dias Gênero: Drama Distribuidoras: Downtown Filmes Sinopse: Baseado em fatos reais, o filme segue a trajetória de um grupo de jovens de classe baixa, como Júnior, talentoso no conserto de televisões, Zeca, que testemunhou uma chacina, Joana, garota que sonha com a mãe desconhecida e Gerson, cujo pai está na prisão desde que nasceu. Entre histórias de perdas e violência, eles descobrem uma nova maneira de expressar as suas ideias e as suas emoções: o cinema

Uma estreia Oasis no Reino Unido: em Newham não há nada que você não possa fazer

28/09/2012 | mktvirtual | Blog, Uncategorized | Tags: Tags:, , , , , , , , , ,

Por Mara Verduin

“Vocês sabem o que é comunidade. Isso me lembrou de quando as docas eram uma comunidade real. Estou sem palavras “, diz Mick, 91 anos, um dos cidadãos que participaram ativamente na realização de uma ação para a renovação da comunidade  Centro Comunitário Asta em Londres Newham, durante a Mão na Massa no primeiro  Oasis Training já realizado na Inglaterra.

Uma equipe de facilitação única e diversa coordenou o Oasis Training em colaboração com a empresa global de cosméticos naturais LUSH e com a ONG local  The Momentum Project. De 28 agosto a 2 setembro de 2012, um grupo diverso de funcionários e clientes da LUSH, moradores de Newham e participantes da formação, junto com os cidadãos de Silvertown e Woolwich Norte, realizaram um sonho comum da comunidade e transformaram completamente o Centro Comunitário Asta Centro sob a facilitação de Rodrigo Rubido Alonso (Brasil), Niels Koldewijn (Holanda) e Conchi (Espanha).

Silvertown & North Woolwich

Uma comunidade jovem, vibrante e dinâmica é o reflexo do altíssimo grau de diversidade – 65% dos moradores é de origem não britânica e 1/3 da população tem idade inferior a 20 anos.  O que se vê na região hoje é fruto do processo histórico do lugar que, no passado, foi reconhecido por abrigar uma economia florescente graças à presença das Docas Reais e das muitas indústrias ali instaladas, que atraíram grande número de imigrantes.  Durante o século XX, com a modernização de processos e posterior retirada das Docas da área, a redução de empregos contribuiu para a degradação do bairro.  (fonte: http://momentumproject.tumblr.com).

Um Oasis  sustentável

Este Oasis foi realizado como parte da política de responsabilidade social da LUSH e, por isso, o grupo de participantes deste Oasis Traning aceitou um desafio adicional: realizar o jogo Oasis mais sustentável até agora e respeitar o meio ambiente, tanto quanto possível. Divididos em diferentes equipes, os participantes tiveram cuidados como gestão de energia, reduzindo o lixo através da reutilização e reciclagem de maneiras mais criativas e cuidado  com a alimentação, orgânica e quase sempre vegana.

Sonho compartilhado: os exemplos positivos e oportunidades para os jovens

Em conversas com os cidadãos jovens e mais velhos da área, surgiu uma imagem clara dos sonhos da comunidade: “centro comunitário aberto todos os dias”, “um lugar para as crianças brincarem em segurança”, “pessoas da comunidade doando seu tempo para ensinar habilidades  às crianças “, “uma comunidade pacífica e que se preocupa “. Os sonhos das crianças também apresentaram uma mensagem clara: “nós não precisamos de um campo de futebol novo, queremos ter um treinador para dividir as equipes e nos treinar.”

De todos os sonhos que foram compartilhados na comunidade, a ideia de renovar a área ao redor do centro comunitário,  ligando assim os cidadãos de todas as idades com o espaço, surgiu naturalmente. Participantes da formação e membros da comunidade, entre 3 e 91 anos de idade, trabalharam por dois dias para transformar o quintal do centro comunitário. O que até então era um espaço escuro não utilizado foi transformado em uma bela e agradável área para a comunidade com bancos, cadeiras e mesas para apreciar o jardim, um palco com espelho, uma caixa de área para os pequenos montada em uma banheira velha. A grama alta deu lugar a um belo jardim cheio de ervas e plantas de pequeno porte, doadas por vários moradores e, por último, também foram construídos um maravilhoso forno de barro e uma churrasqueira de pedra.

Apesar de tudo isso, mais importante do que os resultados físicos é o que aconteceu socialmente. Pessoas que nunca tinham ouvido falar sobre o centro comunitário ou nunca haviam participado, apareceram e participaram da ação no fim de semana. Com muito entusiasmo, alguns comprometeram-se a doar um pouco do seu tempo compartilhando suas habilidades com as crianças da comunidade. Um dos jovens que cresceu no bairro e registrou a ação em vídeo, disse: “Eu cresci aqui e sei como é difícil sair da rua e não acabar na criminalidade. Esses jovens não têm muitos bons exemplos. Eu sou um exemplo de que é possível alcançar o que você sonha e, portanto, eu gostaria de doar uma noite por semana para ensinar estas crianças música e filmagem”.
E  as crianças? Além de participarem com entusiasmo na transformação física, iniciaram seu próprio projeto: sob a orientação da jovem Armina eles compuseram e apresentaram uma canção fabulosa sobre a vida em Newham: “Newham não há nada que você não pode fazer-ê”. De arrepiar! 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lckg6hokKO4]

Na página do Facebook Oasis Newham, você encontra muitas impressões e depoimentos sobre como foi viver e participar do evento. Nas próximas semanas, o vídeo oficial da formação será lançado no youtube.

Experiências – Fonte: http://momentumproject.tumblr.com/

Tracy, líder comunitaria em Silvertown

“Dizem que não existe coesão nesta comunidade. Mas quando isso começou, a novidade se espalhou. Pessoas que nunca souberam que havia um centro comunitário estavam aqui e trouxeram  seus amigos. Vieram pessoas de outros bairros. Ver os sorrisos nos rostos de todos me deixou muito orgulhosa. Eu tenho andado por aíagradecendo a todos”.

Saci Lloyd, co-fundador do Projeto Momentum

“Eu não estou surpreso com o que aconteceu neste fim de semana. Newham é um lugar muito estimulante para se estar agora, com muita coisa boa acontecendo: os Jogos Olímpicos, a nova zona de empreendimentos verdes… é o bairro mais jovem, mais vibrante e que mais cresce em Londres. Mas eu nunca tinha visto tanto burburinho. Este fim de semana pareceu que a comunidade finalmente está acordando.”