11 Pracinha do Mangue

 Pracinha do Mangue – Praça Deputado Euzébio Rocha

À beira do mangue, a pracinha é um dos pontos mais simbólicos do Jardim São Manoel, pois concentra a memória viva da relação entre a comunidade e as águas que a cercam. É um espaço onde natureza, cultura e convivência se encontram. Desde os primeiros anos do bairro, ela serviu como ponto de encontro para pescadores, crianças, jovens e famílias inteiras. Muitos moradores mais antigos recordam as tardes em que as prosas dividiam espaço com partidas improvisadas de futebol e brincadeiras de roda.

Nas festas comunitárias, especialmente as juninas ou de primavera cultural, o cheiro de milho cozido, bolo de mandioca e peixe frito se misturava à brisa vinda do mangue, criando uma atmosfera única. A música (forró, samba ou o som da sanfona tocada pelo Seu Artêmio) ecoava pelo bairro e chegava até as palafitas, convidando todos para participar. Nesses momentos, a pracinha se transformava em um palco coletivo, onde não havia separação entre público e artista: cada um contribuía com um prato, uma dança, um sorriso ou uma história.

O lugar também foi palco de encontros políticos e culturais, onde se discutiam temas como preservação ambiental, melhorias para a infraestrutura e resistências contra ameaças ao território. Essa dimensão dupla entre o lazer e a luta, mostra como a vida comunitária no São Manoel não separa diversão de organização popular.

O mangue, com seu ciclo de marés e biodiversidade, sempre foi parte essencial da identidade do bairro. Muitas famílias mantêm uma relação direta com ele, seja pela pesca, pelo cultivo de plantas nas redondezas de suas casas ou pelo simples hábito de contemplar sua paisagem. Mas o espaço também lembra os desafios: a necessidade de proteger o meio ambiente, de lidar com inundações e de lutar para que o crescimento urbano respeite as áreas naturais.

Hoje, a pracinha continua sendo um ponto de encontro intergeracional, onde crianças brincam enquanto adultos conversam e idosos contam histórias. Ela é prova de que cuidar do território também significa preservar os espaços que guardam memórias afetivas e coletivas.

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