CECONV – Centro de Convivência São Manuel e Comunidade Divino Espírito Santo


O CECONV São Manoel ocupa um espaço carregado de memórias afetivas: antes de ser o que é hoje, funcionava ali a brinquedoteca do bairro, onde as crianças viviam tardes de imaginação, jogos e descobertas. O som das risadas e a energia das brincadeiras ainda ecoam nas paredes, agora renovadas para uma nova atribuição, continuar sendo um lugar de encontro, cuidado e transformação, mas com um alcance ainda maior.
Hoje, o CECONV integra o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), que promove atividades em grupos, organizadas conforme o ciclo de vida de cada participante, com o objetivo de complementar o trabalho social com famílias atendidas pelo Sistema Único de Assistência Social e prevenir situações de risco. É um espaço que incentiva a integração e a troca de experiências, fortalecendo relações familiares e comunitárias e valorizando o sentido de vida coletiva.
Por aqui, crianças pequenas encontram um ambiente seguro para brincar e aprender, famílias se reúnem para partilhar vivências e adolescentes desenvolvem autonomia, cidadania e novos horizontes. Jovens participam de atividades que contribuem para sua permanência na escola, enquanto idosos e adultos mantêm viva a roda de conversas, memórias e saberes que sustentam a história do bairro.
A Comunidade Divino Espírito Santo nasceu da força e da determinação dos próprios moradores do Jardim São Manoel. O terreno onde hoje está a igreja não veio de doações de autoridades ou instituições: foi comprado coletivamente por famílias que acreditavam no valor de ter um espaço de fé e encontro no coração do bairro. Ainda que a Família Varella tivesse prometido um espaço para construção da igreja católica, o processo se deu de outra forma. Com o lote adquirido, começou-se a construção, tijolo por tijolo, no ritmo dos mutirões que misturavam cimento, suor e esperança. Pessoas de todas as idades ajudavam como podiam, uns carregando areia, outros preparando o café, todos movidos pelo sentimento de pertencimento e pela certeza de que aquele lugar seria de todo mundo.
Desde o início, a Comunidade Divino Espírito Santo não se limitou ao papel de templo religioso. A Igreja tornou-se um ponto de articulação social e política, impulsionada pela presença ativa das pastorais e pela inspiração da Teologia da Libertação. Era o tempo em que a fé católica no Brasil se entrelaçava profundamente com a luta por direitos, com as comunidades eclesiais de base e com a defesa da classe trabalhadora.
O espaço era mais um dos que debatia os direitos e a dignidade. Muito além das missas, aconteciam assembleias populares, bem como na Sociedade de Melhoramentos, onde se discutia moradia, água, saneamento, saúde e educação também. As pastorais organizavam campanhas de arrecadação para famílias em situação de vulnerabilidade, visitas a doentes, mutirões de limpeza, alfabetização de adultos, festas e bingos.
Na prática, a Comunidade Divino Espírito Santo ajudou a unir pessoas de diferentes trechos do bairro, do Caminho São Manoel ao loteamento, numa mesma identidade de luta e solidariedade. A fé, ali, nunca foi um refúgio passivo, mas um motor de ação. Era nas celebrações e nos encontros que se consolidava o entendimento de que justiça social, direito à cidade e amor ao próximo são inseparáveis. Fortaleceu-se, então, à luz das injustiças vividas pela comunidade, o compromisso coletivo com a dignidade e a igualdade.
