Conexão Elos: porquê é urgente apoiar as adolescências a nomear o que sentem e quem são

Foi em 2020 a primeira vez que o Instituto Elos levou a sua metodologia, já praticada em diferentes partes do mundo, para apoiar as adolescências de Santos e região a se perceberem como sujeitos de direitos, desenvolverem seus talentos e habilidades e cultivarem valores solidários em seus projetos de vida. De lá para cá foram cinco edições do Conexão Elos, que agora cresceu.

Com recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – FUMCAD/SP, gerido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo – CMDCA/SP, quatro turmas são trabalhadas simultaneamente.

São 60 adolescentes vivendo a Metodologia Elos ao mesmo tempo no Jardim São Manoel, Paquetá, Vila dos Criadores e Morro Santa Maria. O programa vai até o começo de 2025.

Somos uma longa história

Antes mesmo de quem as pessoas e os lugares sejam de fato, chega até nós a história que contaram sobre eles. Julgamentos feitos à distância se tornam crenças. E crenças, por sua vez, viram verdades absolutas quando não nos abrimos a outros modos de nos relacionar com o mundo e com quem está ao nosso lado.

A Metodologia Elos nos mobiliza justamente para revisitar este olhar sobre nós mesmas, sobre as outras e a realidade ao redor. Não é negar o que falta, os desafios que existem. É afirmar o que dá vida, o que dá movimento.

É com esse espírito que as adolescências de quatro territórios parceiros na Baixada Santista mergulharam em 12 meses de uma jornada que chamamos de Conexão Elos: o que muda dentro e fora de mim quando aprendo e escolho viver pela lente da abundância e agir pela força da cooperação?

O que muda nas pessoas, nas relações e nos territórios

O Conexão Elos combina formação cidadã, fortalecimento de vínculos e protagonismo juvenil. O programa, construído ao redor de atividades em grupo, visitas e encontros com referências inspiradoras, amplia repertórios e fortalece a consciência sobre o potencial pessoal e coletivo das turmas.

Entre os aprendizados construídos na jornada estão habilidades socioemocionais, metodologias de comunicação e mobilização social, além de ferramentas para o trabalho em equipe e o cultivo de comunidade. O processo também é um mergulho nas noções de cidadania, direitos humanos e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ao mesmo tempo em que se desenvolvem pessoalmente, as adolescências vivenciam a prática da cidadania por meio de projetos locais, mentorias e inserção nos debates públicos do seu interesse. O resultado é a criação de um tecido comunitário mais coeso, capaz de reconhecer seus próprios talentos e recursos, fortalecer redes de apoio e ampliar a participação social e democrática.


Cada lugar, um lugar

GSA 2024, Vinicius da Silva Tavares, 27 anos, é uma das pessoas facilitadoras do programa. Ao lado de Luany Godoy, é ele quem desenha e faz acontecer as atividades nos territórios parceiros. Vinicius conta que, apesar de a jornada ainda estar no começo, já consegue sentir e perceber mudanças. E isso o emociona e encoraja.

“Adolescentes que antes entravam quietos e saíam calados, nessas últimas oficinas já estão se expressando um pouco mais, sabe? Mais confiantes para poder soltar a voz para os outros escutarem”, explica. Não é mágica, é processo.

O Conexão é desenhado em cima da Metodologia Elos, traduzindo para o universo e o contexto das crianças e adolescentes os seus sete passos: Olhar, Afeto, Sonho, Cuidado, Milagre, Celebração e Re-Evolução.  Nas primeiras semanas, as turmas mergulharam nos princípios, valores e habilidades do Olhar: encontrar abundância, onde todos veem escassez. Isso é sobre onde moram, mas também é sobre si mesmas.

“A partir do momento que começam a perceber que são capazes, que têm qualidades, potência, talento, que têm coisas para falar que vão agregar ao grupo, elas começam a se tornar mais confiantes e seguras de si mesmas”, observa o facilitador. Para isso, cada perfil de turma pede um tipo de atividade. Às vezes é só um convite mesmo, direto – isso funciona com os mais velhos. Às vezes, a elaboração acontece na ludicidade.

“Por exemplo, a gente pega papel e puxa um autorretrato e, nesse desenho, vai perguntando para a criança o que ela gosta de fazer, o que gosta de brincar, qual é a comida favorita”, explica Vinicius.  “A partir das respostas dela, vamos pegando as qualidades, os talentos, o que é que gosta de fazer e, depois disso, mostra de volta: ‘Olha o tanto de coisa em que você é boa, sabe? Olha o tanto de coisa que você sabe fazer’.

Aprender é decidir fazer

A gente não aprende tudo de uma vez, na mesma hora. Uma atividade experimentada pelas turmas hoje é costurada com outra, duas semanas depois. Boa parte dos territórios já puderam, por exemplo, lançar um olhar generoso sobre seus talentos, descobertos em atividades como essa contada acima. 

Vinicius explica que é, apenas, trazer consciência e aprender a nomear o que cada adolescente sabe, mas convidar essa pessoa a se sentir segura para agir, para colocar o novo que acabou de saber, em movimento.


“No São Manoel, um dos participantes, o Miguel, queria muito cantar no Show de Talentos”, que faz parte da Metodologia Elos e busca transformar em ação a autoconsciência sobre o que cada um de nós sabe no mundo, “mas estava com vergonha. Mas aí ele decidiu que ia, e foi. E ao final de tudo, gostou bastante. Aconteceu a mesma coisa na Vila dos Criadores, com a Giovana. Ela mesma ficou feliz com a sua coragem de colocar seu talento no palco”, finaliza Vinicius.

 

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