A Celebração da Renata Laurentino

Para todas as direções em que se pode crescer, para dentro continua a ser o nosso melhor movimento. Quando a gente encontra, ou se reencontra, com o motivo pelo qual se levanta pela manhã. O propósito é feito um caminho, a causa é o jeito de caminhar.

“Eu era adolescente, uma vez perguntei à minha mãe como conseguia sobreviver à fome. Ela respondeu que sempre imaginou que a vida não era aquilo, que aquilo era só um momento. Ficava construindo cenários em sua cabeça para suportar a realidade”, começou a Renata Laurentino, GSA 2012.

Foram estes cenários, Renata imagina hoje, que deram o chão do seu próprio caminho: “Eu herdei isso dela, essa busca pelo imaginado”.

Crédito: Paulo Pereira

 

Criança virando gente grande cedo demais, a passagem do pai aos 12 anos, cuidar dos irmãos enquanto tentava cuidar de si mesma, tudo em meio esse turbilhão de acontecimentos.

“Eu era uma criança que tinha que levar mais três para a escola. Daí criei um joguinho para envolvê-las no caminho”. Renata, sempre inventando mundos. Foi ser atriz, ainda aos 14 anos. Aquele negócio de ficar sendo outras pessoas, andando por lugares que nem existem mesmo, ela já fazia. Por que não viver disso? Virou professora de teatro, aulas em pátios, salas, corredores. Banheiros.

“Eu queria que as pessoas vivessem no corpo delas a capacidade de se transformarem em outra coisa. Em outras pessoas”. E queria fazer isso atravessando o poder da imaginação na realidade. Por uma arte que encontrasse e celebrasse todas as existências.

O maior revolucionário não é aquele que muda o mundo, mas aquele que muda a si mesmo, já escreveu uma vez o poeta Sérgio Vaz.

Depois virou atriz, daquelas de TV e tudo. Palcos, ensaios, textos. Uma série para a HBO. E um pequeno grande vazio dentro do peito, será que era isso mesmo? Foi buscar outros jeitos de ser no mundo.

Credito: Paulo Pereira

“Eu cheguei bem perdida ao Guerreiros Sem Armas”, explica. Mas chegou. E foi lá que descobriu a potência da materialização de sonhos , que a gente muda o jeito de caminhar muitas vezes na vida, que cada momento pede um. Que ou a gente expande para dentro, e depois para fora, ou fica girando em círculos. Voltando sempre ao mesmo lugar.

Foi o nascimento de Lina que ofereceu novas possibilidades de caminho para a Renata. Ela saiu de um trabalho que gostava no Instituto Elos para viver a maternidade dos seus sonhos, como ela mesma contou. Vivenciou muitos detalhes.

Com tempo livre, sem reuniões em cima de reuniões, tardes inteiras de vazio preenchido por existir. Um horizonte de novas possibilidades de ser bem à sua frente. Lina inventou uma nova Renata para o mundo, com outras prioridades, urgências e interesses. Uma Renata que celebra o estar, o instante. Que se está aqui, está. Inteira.

“Quando decido olhar de novo para as infâncias, eu desejo cuidar das de hoje, mas também recriar a minha”, diz. Foi a maternando a Lina que a Renata passou a se perguntar como apoiar o cuidado com as crianças do mundo todo. Daí as ideias passaram a brotar, aos montes. Feito uma que botou no mundo, o Nutrição para Imaginação. Um kit para apoiar famílias no brincar, no auge da pandemia do Novo Coronavírus.

Credit: Paulo Pereira

O Nutrição era entregue junto com cestas básicas, com inúmeras possibilidades de brincadeiras e materiais de desenhar, de colorir, de recortar. Ao lado de muitas acreditadoras, Renata viu que a imaginação chega também numa caixa:

“Eu estava ali no quintal brincando com a Lina, quando me inquietou uma pergunta: todas as crianças e famílias do mundo precisam viver isso que estou vivendo agora. ali, veio tudo da ideia”.

 


Há poucos meses outro projeto veio ao mundo. Um livro. Ou melhor, é bem maior que isso, que já é grande sozinho. SOMOS – um álbum poético e afetivo para acompanhar é, como ele mesmo se descreve, um guia afetivo e sensorial para viajantes do planeta Terra em que metade da história é o que está nas páginas, a outra metade é o que você vai fazer com elas.

Renata não tem acreditado muito em um horizonte para onde se guiar no que faz hoje, tem ainda muitas ideias para trazer ao mundo. Prefere, ela disse, permanecer atenciosa e presente ao que fica forte em si mesma, dia a dia, para descobrir seu próximo movimento.

De uma coisa não tem dúvida, contou isso a conversa inteira: não construirá nada sozinha. Transformação é tudo aquilo que a gente faz juntas. Ela seguirá espalhando a imaginação de muitas maneiras.
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Quer saber mais sobre o GSA, o nosso programa de formação que a Renata participou em 2012? Acesse nosso site. As inscrições para a próxima edição estão abertas, participe você também!

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