Captação de recursos: que bicho é esse?

Por André Pascoal*

Quando falo em captação de recursos, me pego refletindo: será que eu sei captar grana para os meus projetos de vida? Captar para projetos de terceiros pode parecer difícil, ainda mais se não somos conhecidos por nossos candidatos a patrocinador, mas ao mesmo tempo pode se tornar fácil já que não temos que dar a nossa cara para bater. O que temos que fazer é convencer as pessoas de que o projeto é bom, que existe uma equipe muito qualificada por trás dele e que trará resultados tão bacanas que seria muito bom para imagem de alguém ou de alguma instituição apoiá-lo.
Por outro lado, captar para nossos projetos pessoais e de vida pode parecer um desafio muito maior. Afinal, é difícil alguém apoiar uma causa sua, para seu crescimento pessoal. Sabemos que vender o nosso peixe é mais difícil, mesmo que nos consideremos bons nos que fazemos. A maior dificuldade pode ser, dentro de todas as coisas que você quer fazer, descobrir o que você tem como projeto de vida.
Aí é que está o segredo! Se você está com dificuldades de pensar um plano de captação de recursos, provavelmente todas as coisas que você quer fazer não tenham muito a ver mesmo! Então, que tal tentar traçar um caminho de aprendizado e execução e buscar envolver nesse processo as pessoas que, de alguma forma, queremos que nos apoiem na realização dos nossos sonhos? É fato: se queremos apoio, temos que oferecer contrapartidas. Temos que fazer nossa parte, cativar, dar um retorno grato e justo.
É exatamente baseado nesses princípios que estamos inspirando os guerreiros sem armas da edição 2012 a captarem recursos. O contexto é o seguinte: hoje, o programa tem um custo de 10 mil reais por participante. De antemão, o Instituto Elos se responsabiliza por captar 5 mil reais para subsidiar a vinda de cada um e compartilha a responsabilidade de captar os outros 5 mil reais com os participantes. Dessa forma, participar do Guerreiros Sem Armas passa a ter três momentos fundamentais: a primeira é trilhar o Caminho do Guerreiro (processo seletivo em que o jovem realiza ações reais e as relata em um blog), a segunda é captar recursos para sua vinda e a terceira é a vivencia do programa, durante os 30 dias em Santos.
O exercício de captação é uma ferramenta poderosa que prova para o próprio guerreiro que ele é capaz de captar recursos para os seus projetos pessoais e coletivos. Não é difícil perceber a insegurança dos jovens para enfrentar esse desafio. É algo novo e com o qual não estamos acostumados a lidar e nos deixa mesmo receosos, mas os jovens são abertos e tem menos medo de arriscar. É mágico perceber que quando conversamos e falamos de possibilidades e inspirações, o plano vai para a prática e as consquistas começam a acontecer, os olhos brilham e a pessoa se fortalece. Eu sempre falo que o processo pode ser divertido ao passo que o participante começa a usar a criatividade e atrair sua rede para trabalhar consigo; ou pode ser cansativo quando ele não consegue enxergar de forma clara toda a abundancia da sua própria rede.
O fato é, independentemente da estratégia, o mais importante é poder oferecer algo que sensibilize seus possíveis parceiros. Algumas pessoas tiveram planos ousados para o Guerreiros Sem Armas desse ano. Uma das guerreiras inscreveu su projeto no Catarse (site de crowdfounding) e ultrapassou o valor pedido oferecendo contrapartidas como fotos, vídeos, relatos e até a vivência de um Oasis. Outras pessoas preferiram fazer rifas, que vão de obras de arte com mosaico, feito pela própria participante, até o oferecimento de uma vitamina e um lanche em uma lanchonete todos os dias durante 6 meses.
Algumas pessoas usaram o site Vakinha e fizeram o exercício de atrair sua rede pessoas e fazer com que essas pessoas também envolvessem suas redes – a tarefa era simples: todas as pessoas que doaram receberam o desafio de conseguir mais uma pessoa que não fizesse parte da rede do guerreiro para doar para a campanha. Resultado: relatos da vivência em um blog + vivência de um Oasis. Há também os casos de guerreiros que conquistaram suas bolsas a partir de parceria com empresas. Aí o desafio é decidir a empresa e sensibilizar o gestor. A contrapartida costuma ser uma experiência para os voluntários da empresa, seja um workshop ou um Oasis.
Captar recursos não é fácil. Exige tempo de preparação, coragem e dedicação. Muitas vezes, sua primeira resposta não será positiva. Os “nãos” fazem parte do caminho, assim como em todos os outros processos que passamos na vida. Mas esses exemplos provam que se houver uma boa justificativa e um envolvimento dos parceiros no seu processo, dificilmente você não terá um apoio significativo.
*André Pascoal é guerreiro sem armas da edição 2007, administrador de empresas e o gestor financeiro do Instituto Elos

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