Cultivar comunidades por Kaká Werá

Um dos temas mais importantes que o Elos tem em sua trajetória é como cultivar comunidades. Neste artigo de Kaká Werá fala da importância de entender comunidade no seu sentido mais amplo.

Somos ao mesmo tempo, um indivíduo, uma pessoa estruturada num sistema de raízes sobreposto a um sistema de crenças, que por sua vez é estruturado num sistema de valores.

Temos que olhar pra isso por quê? A sabedoria africana diz que se você não olhar para seu campo, sua comunidade pessoal e não colocar as devidas memórias e crenças na sua ordem, você corre o risco de ser uma pessoa desajustada não no sentido de loucura, mas de ser incoerente emocionalmente, instintivamente e na razão.

Sabe aquelas pessoas que sentem de um jeito, pensam de outro e fazem de outro? Causa uma instabilidade na sua maneira de ser no mundo. A tradição africana fala de uma ordem interior que tem uma hierarquia e as coisas precisam ser colocadas no seu lugar internamente.

As culturas indígenas das Américas, particularmente do Brasil, vão falar também de uma comunidade pessoal baseada na inclusão, não só de seus parentes familiares, mas uma comunidade pessoal que inclui seus animais, seu ecossistema e aquilo que não é visível aos olhos – os espíritos, a vida além da vida. Isso é essencial para gerarmos comunidades sociais e planetárias coerentes.

Para realmente cultivarmos comunidades é necessário ter um objetivo e o objetivo é a comunidade planetária. No entanto, para chegar nesse objetivo nós temos que considerar as outras 3 dimensões de comunidade.

  • A comunidade social é a consideração da diversidade e pluralidade de culturas e pessoas – isso é um grande dilema e desafio para o Brasil e para o mundo. Em cada lugar que a gente vai, seja num bairro chique ou na favela, está contemplada uma diversidade de pessoas que tem maneiras de ser e de se expressar muito próprias e muito íntimas e de culturas muito diferentes das nossas e devem ser respeitadas
  • A comunidade pessoal é como eu me relaciono com a minha família, com meu clã, considerando as influências que recebi dos meus avós, tataravós e lá pra trás, mas também como me relaciono com o lugar que eu vivo, o ecossistema onde eu vivo e o reconhecimento de que esses recursos são finitos e precisam ser manejados com cuidado.

Eu incluo na comunidade pessoal o clã e o ambiente que eu habito, além da casa, o entorno: se passa ou passava um rio, se o ar que eu respiro é adequado, se a comida que eu como é adequada. E devemos ser atuantes nesse campo, pois isso é pessoal. Isso deve estar incluso na minha reflexão de comunidade pessoal. Se não somos atuantes não ganhamos musculatura para levar isso para a comunidade social.

  • Por fim, há a comunidade interior, que tem questões, tem fantasmas a serem transcendidos e cuidados. Por isso, é importante pegar essas 4 comunidades e colocá-las numa ordem, numa hierarquia e investir a nossa energia no desenvolvimento de todas”.

O ser humano independentemente da sua nação ou região tem algumas inquietações básicas e são essas inquietações que permitem tecer noções básicas que vão além da sua língua, cultura e espaço geográfico.

Uma das inquietações que temos em comum está ligada à nossa condição básica de sobrevivência, sobre como nós queremos sobreviver e promover a sobrevivência da espécie. Hoje temos informação do mundo inteiro sobre a instabilidade da nossa sobrevivência, inclusive enquanto planeta.

Então uma das maneiras de cultivar a comunidade planetária é se abrindo do ponto de vista social e das ideias que você representa se abrindo para as novas gerações do planeta. Muitas vezes buscamos esse relacionamento planetário em tempos de crises, normalmente políticas e sociais.

Em momentos de crise nos unimos de modo reativo para atender aquela demanda e depois baixamos a guarda e descolamos. O desafio é ir além da crise e cultivarmos relações com pessoas e instituições baseadas num projeto básico de futuro e em um alinhamento pra criar ações no nosso lugar e ações coletivas”.

Horta Bons Frutos realiza atividade aberta

Durante a realização do GSA 2014  um dos sonhos coletivos realizados no Jardim São Manoel foi um barracão cultural que tinha em um pequeno terreno nos fundos uma pequena horta. A pequena horta ocupa hoje um terreno de 5 mil metros quadrados.

Recentemente o projeto recebeu o prêmio de Inovação Comunitária pela Brazil Foundation, mas este é apenas um dos reconhecimentos que permitem que a horta se expanda e consolide seus resultados.

A iniciativa busca ser comunitária no sentido amplo da palavra: a comunidade se expande para além dos limites do bairro. Escolas parceiras levam seus alunos para terem um contato próximo com a terra e organizações como o Rotary Clube Boqueirão apoiam o projeto.

Um vez por mês as empreendedoras da horta abrem as portas para quem quer colocar a mão na terra: plantar, colher, capinar, cuidar… Não é preciso inscrever-se, basta aparecer com sua melhor energia e disposição.

 

Manifesto Elos

Um vídeo que expressa aquilo em que acreditamos e que nos nutre para que possamos seguir realizando o trabalho de construir o mundo que todos sonhamos. O Manifesto Elos traduzido em imagem é da Eliza Capai.

Em 2105, o Instituto Elos completou 15 anos de fundação, o que nos trouxe a necessidade de uma revisão de nossa história, que foi a base para traçar os caminhos para os próximos 15 anos.

Para posicionar a marca Elos perante seus diferentes públicos foi contratada a consultoria da Dervish Cultural Insights. De acordo com o diagnóstico, nossos públicos têm dificuldade de explicar quem é o Elos e o que ele faz.

A consultoria mostrou que nossa origem, história e a filosofia da marca nos colocam como uma instituição que vive valores emergentes e, mais do que isso, propõem que todos vivam a construção, hoje, do mundo que queremos. Essa conexão nos coloca num lugar com potencial inspirador, podendo, assim, assumir ainda mais a posição de marca catalisadora de transformações.

No final do processo foi concebido o Manifesto Elos de forma coletiva em um processo conduzido pelo Max Nolan Shen.  Além de trazer um pouco da nossa trajetória, fala muito dos sentimentos acerca daquilo que nós fazemos e que realmente importa para nós.

 

 

 

GSA 2019 – inscrições abertas

A primeira pergunta a se fazer é: Você acredita que transformar o mundo é possível? E se vê como parte desta transformação?

Se a resposta for sim, talvez você esteja no caminho certo. Mas precisamos avisar de antemão: O GSA é um programa para jovens que tem disponibilidade para por a mão na massa e fazer esta transformação acontecer.

Pense em um programa com alto grau de diversidade: são jovens vindos de diversas partes do mundo, de religiões diferentes, classes sociais diferentes,  com crenças, premissas e estratégias diversas… Todos vivendo juntos por 32 dias e dispostos a lidar de forma colaborativa e respeitosa com estas diferenças.

Pense em uma formação que se baseia em desenvolvimento humano e comunitário, que acontece em níveis mitológico, filosófico e instrumental. Que conta com uma equipe que irá guiar você na aplicação de uma Filosofia na prática, em 3 comunidades.

A comida é vegetariana, não é permitido o uso de álcool, ou qualquer tipo de droga durante todo o período de imersão do programa.

Você vai passar por um processo seletivo e sim, se for selecionarmos você, este programa tem um custo, nossa equipe está disposta a buscar recursos, mas contamos que você dê o seu melhor para viabilizar a sua participação, de preferência cobrindo os R$ 14 mil que é o valor da taxa de inscrição do programa.

Alguma destas afirmações te assusta? Você não está só… Ser Guerreiro ou Guerreira Sem Armas, não é sobre não ter medo, e sim sobre ter motivação suficiente para enfrentar medos e incertezas para alcançar a sua melhor versão e se colocar a serviço de transformar o mundo.

Se isso tem a ver com você… Preencha o formulário abaixo.

 

 

Elos nova marca, mesmo propósito

A Marca ELOS é composto por dois elementos: o símbolo e o logotipo.

 

O símbolo é uma mandala composta por dois anéis, um dentro do outro. Esse símbolo representa o poder de trabalho em círculo, onde cada integrante tem algo para oferecer para o grupo. Representa a força de comunidade e as conexões entre as pessoas.

A definição de “Elo” no dicionário é “união ou relação construída entre pessoas ou coisas; conexão.” As duas cores do logo é o Amarelo e o Verde claro, que trazem essa característica solar e da natureza para a marca, além da forte presença do círculo. A junção das duas cores sugere que sempre estamos em busca da luz para resolver situações difíceis e assim poder transformar realidades em nossa volta.

“O círculo nos remete à nossa ancestralidade, trazendo a lembrança dos povos primitivos, dos índios, dos xamãs. O círculo nos tira do tempo linear, cartesiano, e nos envolve nas curvas dos mantos, nos remete às entrelinhas, nos abre possibilidades. Nos devela e nos revela segredos”. Heloisa Esteves.

O logotipo utiliza a fonte DIN Round, criada por Albert-Jan Pool, e tem como principal característica a suavidade e simplicidade, sendo desenhada com curvas suaves e amigáveis.

Estes dois elementos mantêm sempre uma distância fixa entre si.

A marca foi originalmente desenvolvida pelo artista plástico e amigo Fernando Velazquez e recebeu contribuições do arquiteto, artista plástico e também amigo de longa data Renato Leal.

Veja o documentário da Escola de Transformação

Uma série de vídeos conta a história vivida por pessoas que vivem em projetos Minha casa Minha Vida e que por 2 anos foram educandos e educadores na Escola de Transformação.

A Escola de Transformação tem como finalidade central incentivar moradoras e moradores a tornarem-se cidadãs e cidadãos ativos na aceleração e transformação do território, tornando-os responsáveis pela melhoria das condições urbanas, ambientais, econômicas, sociais, políticas e institucionais. Nosso método para unir pessoas é através da ação e do reconhecimento e valorização do que elas querem, gostam e fazem bem!

A sala de aula é na vida real, e no lugar em que se vive!

A estratégia de atuação permite unir diferentes perfis, pois:

– Apresentamos convites a partir das vontades de pessoas e instituições, que passam a atuar juntas com sua melhor versão – MOBILIZAÇÃO;

– Desenvolvemos cursos com conteúdos teóricos que estimulam a troca de conhecimento entre os participantes, provocando o desenvolvimento de suas capacidades – FORMAÇÃO;

– Desenvolvemos atividades em que as ações materializam os aprendizados e os sonhos coletivos – REALIZAÇÃO.

Este é o resultado prático de uma trajetória de 4 anos como entidades parceiras do DIST. O Instituto Elos, atuando por dois anos na fase I do programa em 4 territórios da Baixada Santista, e a DEMACAMP, trabalhando no mesmo período no Residencial Bassoli, localizado em Campinas (SP), junto ao Instituto Pólis. Nestes dois últimos anos, formamos a parceria Elos e Demacamp, para atuar nos Residenciais Bassoli, Abaeté e Sirius.

Ficha Técnica: 
Realização: Instituto Elos 
Parceiro Estruturante: Demacamp 
Realização Audiovisual: V U 
Apoio: Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal dentro da estratégia Desenvolvimento Integrado e Sustentável dos Territórios (DIST)

Comunidades GSA 2018 visitam projetos inspiradores

No domingo, 21 de outubro, foi realizada a Visita de Inspiração como continuidade do programa de acompanhamento das comunidades parceiras do GSA 2018*.

Além de moradores do Caminho Pilões, Monte Serrat e Vila dos Pescadores foram convidadas lideranças comunitárias de comunidades de outras edições do GSA, como o “Guerreiros do Progresso”, grupo da Vila Progresso (GSA2014) e empreendedoras da Horta Bons Frutos, do Jardim São Manoel/Caminho da União (GSA 2014). Quatro participantes do Guerreiros sem Armas 2018 também estiveram presentes na visita.

A comunidade visitada foi União de Vila Nova, no extremo leste paulista, divisa entre Guarulhos e São Paulo. Um bairro onde antigamente existia um lixão e hoje acolhe um conjunto habitacional, o Viveiro Escola e o Instituto Nova União da Arte – NUA.

Nosso principal anfitrião foi Hermes De Sousa, fundador do NUA, importante liderança comunitária que articula projetos e parcerias para o desenvolvimento do bairro.

Hermes destacou a importância de escutar as crianças para que os projetos comunitários tenham sucesso, afinal, elas com sua sinceridade e espontaneidade são capazes de falar e realizar muito.

Logo que chegamos à sede do NUA fomos recepcionados com uma apresentação de dança. O grupo estava indo participar de um festival no bairro vizinho, mas fez questão de mostrar para a gente uma coreografia muito bem ensaiada.

No Viveiro Escola tivemos a feliz surpresa de encontrar a equipe do São Paulo Lab, parceira da Horta Bons Frutos que construiu coletivamente o “Papa-galhos”. Maria Augusta Bueno e demais integrantes estavam inaugurando a Agro-Gym, uma academia aonde fazer exercícios ajuda a produzir alimentos.

Foi bom conhecer a organização do Viveiro, as delícias gastronômicas preparadas pelas mulheres que cuidam do espaço, como a esfiha de ora-pró-nobis e a de taioba. A grande maioria saiu de lá carregando nas suas sacolas de compras com mudas, adubo orgânico líquido e terra fértil, por exemplo.

Visitamos também o EcoPonto do bairro, que além de ser um espaço para coleta e reciclagem de resíduos, propõe-se um espaço de convivência. Participantes gostaram do fogão à lenha que existe no local, que fez com que recordassem de suas infâncias. Lá souberam do projeto Varre Vila, que remunera moradores para cuidarem da limpeza das ruas, estimulando a geração de renda e o cuidado com o bairro.

As pessoas que foram nesta visita agradeceram a oportunidade de conhecer uma comunidade tão ativa, uma liderança com uma história de vida tão inspiradora e poder seguir se conectando com outras iniciativas para transformar suas próprias comunidades.

*Este programa pós GSA2108 tem o apoio da Fundação Affonso Brandão Hennel

Certificação em Direitos Humanos

O Instituto Elos foi recebeu o  Certificado de Entidade Promotora de Direitos Humanos, a certificação é feita pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Governo do Estado de São Paulo.

Para a obtenção do Certificado é preciso que a entidade não tenha fins lucrativos, e além disso,  dedique suas atividades à defesa dos direitos humanos, mediante a difusão, promoção e ação dos direitos fundamentais da pessoa humana. Este certificado reconhece publicamente a atuação do Elos na defesa e promoção desses direitos como atividade principal da organização.

O trabalho do Elos junto às comunidades promove o protagonismo comunitário. Através do trabalho coletivo acreditamos que pessoas e comunidades descobrem então, como ser agentes de transformação da própria realidade. Trabalhar junto permite que as pessoas apoiem umas às outras, fortalecendo o senso de comunidade e os vínculos de convivência.