Nossa vivência em comunidade

Por Val Rocha
Tudo começa a mudar no minuto em que o médico traz aquele pequeno ser para perto de você. Foi nessa hora que meus olhos se encheram de água e que minha mente deixou de se ocupar com tudo o mais: a reforma, o ar condicionado que ainda não entregaram, a fresta que deixa entrar mosquitos e frio no quarto das crianças… Por um momento, parece haver uma ruptura no tempo e no espaço e aquele momento é tudo.
Depois vem chegando os fragmentos da vida, que completam e dão sentido ao acontecimento do nascimento da minha segunda filha: Nina. Aos poucos… primeiro ouço seu choro, vejo seus olhos. Me emociono e pra dizer a verdade me surpreendo com isso, como se o fato de saber que ia acontecer me tirasse o direito de viver tão intensamente esse encontro tão  esperado. Acho que esse é o maior poder da chegada de uma criança: como a força da gravidade, ele te puxa para o centro do que é importante na vida e do que está vivo, agora.
Leandro, o pai, presente, emocionado… inteiro. Depois, Lia vem conhecer a irmãzinha. Vem os avós, os tios, as tias… e essa família peculiar se completa no final do dia com a chegada do “povo do Elos”: as crianças, as Maris, a Laura a Carla. Essa é uma família diferente. Mas Nina não sabe disso, assim como não sabem Laura, Luiza e Lia. Para elas, a vida é assim: vivida em comunidade. Temos uma família e temos o “povo do Elos”. Acho bom que seja tão simples assim e fico feliz por aprender essa simplicidade com as crianças.
Os banquetes, o espaço das crianças, os chás e cafés da tarde, os bolos, pães e ja-te-vis (as receitas que cada um prepara em sua casa no final de semana e acabam sendo terminados pelo “povo do Elos” no almoço de segunda-feira)… Tudo isso cria uma atmosfera única de relacionamento com espaços férteis para o cultivo de relações que se aprofundam e apoiam esse grupo de pessoas nos seus desafios cotidianos. O tema “comunidade de aprendizagem” tem surgido fortemente nas nossas reuniões de planejamento. E no final dessa pequena reflexão fico com a certeza de que estamos no caminho certo: eu, pelo menos, tenho aprendido muito nesta vida em comunidade.

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