O Caminho do Sim — Aplicando o Jogo Oasis em meu país de origem

Por Andreia Marques*, em português de Portugal
Há um ano e meio, quando voltei do Brasil, vinha tão motivada e entusiasmada com a experiência que tinha tido durante os 9 meses que trabalhei no Instituto Elos, que aquilo que mais desejava era que as pessoas à minha volta pudessem viver ou sentir, na sua pele, apenas uma pequena parte daquilo que eu tinha vivido. Passaram-se 8 meses até que eu pudesse finalmente implementar o que tinha aprendido, mesmo não sabendo exactamente Como!
Sei hoje, apesar disso, que essas vivências e transformações foram, por mais que eu as tenha querido partilhar com outros, apenas minhas. Compreendi que cada um de nós tem o seu ritmo e tempo para chegar aos lugares que precisa e que esses lugares não são necessariamente os mesmos para toda a gente.
No entanto, eu tinha recebido um presente que podia ser dividido, ampliado, disseminado. E esse presente chamava-se Oasis.
A verdade é que nunca tinha sequer participado em nenhum Oasis do princípio ao fim. E embora a metodologia estivesse, na teoria, bem integrada em mim, eu não fazia a menor ideia do que podia fazer para disseminá-la em Portugal — o meu país de origem. Salvou-me, no entanto, a minha crença de que “a vida é uma coisa bem feita”.  E talvez seja esse, afinal, o principal caminho do Sim!
Aprendi então que as oportunidades são pequeníssimas janelas invisíveis que mudam a nossa vida a partir do momento em que decidimos entrar por elas e estamos dispostos a aceitar o que estiver no outro lado.
Em novembro de 2011, conheci a professora Ana Albergaria na minha primeira aula de natação — eu tinha esse sonho de aprender a nadar e, sem saber, através da realização de um sonho acabei por realizar outro.
A Ana, nos intervalos das braçadas que dava, ia falando sobre a aventura e desafios diários de ser professora primária de cerca de 20 crianças de 9 anos numa escola da Musgueira — um bairro social aqui em Lisboa, Portugal. Eu, nas pausas para respirar, ia ouvindo as suas histórias e sentindo a sua energia, como faço sempre que estou com alguém pela primeira vez. Dizem que os semelhantes se reconhecem. Acredito que sim!
A prova disso é que, sem nos conhecermos ainda, eu e a Ana começámos a sonhar juntas com o Oasis a partir daí. Em dezembro, eu entrei pela primeira vez na escola primária EB 1 número 34. Naquele dia, eu estava com a Natasha Mendes Gabriel, que ia viajar até Bissau em trabalho e que fazia escala em Lisboa durante algumas horas. Ela informou-me de que não poderia vir até aqui ajudar-me a por em prática este sonho. E eu, que já tinha aprendido a nadar no mês anterior, nesse momento aprendi a voar. Senti-me, penso, uma vez que não tenho memória de alguma vez ter sido pássaro, como um pássaro que começa a voar pela primeira vez… Sem rede de segurança, bati fortemente as minhas asas imaginárias e Voei! De outra forma, como poderia eu não me estatelar directamente no chão!?
A partir daí, fui criando juntamente com a Ana e com outros amigos que nos apoiaram durante todo o processo, um Oasis feito à nossa medida. Distribuímos os dias da metodologia por 8 semanas, uma vez que este era o tempo que a escola nos disponibilizava. E fomos fluindo ao ritmo das crianças.
Tivemos, claro, vários desafios. E para além disso, tínhamos disponível apenas uma hora e meia por semana. Mas este era O Nosso Oasis. E a maravilha do Oasis é também essa: o sonho é aquilo que nós quisermos que ele seja.
Fomos Aprendendo-Fazendo! Descobrindo e improvisando, de acordo com os recursos que tínhamos, com o apoio que a escola nos dava ou guiando-nos pela intuição.
Foram 8 semanas de surpresas. Fizemos todas as etapas com as crianças, em modo de trabalho de casa. E no final, construímos um lindo jardim de borboletas.
Brincámos verdadeiramente de mudar o mundo e hoje, já depois de ter participado num outro Oasis aqui em Portugal e de continuar a sonhar com muitos mais, acredito todos os dias que esta é uma ferramenta flexível, que se adaptará ao que nós quisermos que ela seja e às condicionantes de cada lugar, de cada cultura, de cada grupo! Exactamente como um jogo, na vida real.
*Andreia Marques é oasiana, designer e trabalhou no Instituto Elos por 9 meses

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