A orquestra de sonhos

Por Virgílio Varela*, em português de Portugal

Um dia a cidade acordou cheia de pessoas a procura de coisas. Falavam
de coisas que existem em abundância na comunidade, perguntavam aos
moradores pelos seus talentos e sorriam entre cada pergunta. A
comunidade estava confusa, principalmente os adultos que não percebiam
o que se estava a passar. As crianças falavam pelos cotovelos, e
mostravam todos os cantos da cidade. Como se tudo aquilo validasse o
conhecimento que elas tinham.
Depois no dia seguinte, apareceram as mesmas pessoas a perguntar sobre
os sonhos. Aqueles que se esqueceram de sonhar, diziam que não tinham
sonhos e que isso era coisa que já não faziam há muito tempo. Mas como
os perguntadores tinham um sorriso que não aceitava não como resposta
e um brilho nos olhos de quem gosta de mudar o mundo – as pessoas
responderam e começou-se a ouvir uma orquestra cheia de sonhos. A
orquestra em pouco tempo tocava afinada e do acorde mais bonito, os
perguntadores e a comunidade fizeram o sonho tornar realidade: cheio
de flores, palavras inspiradoras, cores que se casavam na perfeição,
madeiras reformadas que se tornaram mesas e cadeiras renovadas… e no
final do dia, quando o Sol já se estava a pôr, todos dançaram ao som
de Zélia Duncan “Alma, deixa eu tocar sua alma/ com a superfície da
palma/da minha mão”.

O Oasis no Casal da Boba foi uma experiência comunitária única e tudo
porque a comunidade decidiu sair à rua e sonhar.
* Virgílio Varela é coordenador do HUB de Inovação Social-Amadora na Fundação EDP.
 
Clique aqui para ler o texto de Andreia Marques sobre este Oasis >>

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