Economia Solidária é tema de encontro inspirador para Comunidades Empreendedoras

Neste final de semana, aconteceu o “Inspire-se: uma outra economia é possível”, um encontro sobre economia solidária, que aconteceu graças as parcerias entre o SESC de Santos, o Núcleo de Economia Solidária da USP (NESOL), e a gente do Elos. O evento complementa as atividades do SESC no fomento à economia solidária unindo a expertise do NESOL na curadoria e a do Elos na mobilização de comunidades. Para nós, fez parte do calendário do programa Comunidades Empreendedoras, que tem como objetivo o desenvolvimento integrado e sustentável do território em 4 comunidades da Baixada Santista – Caminho da União e Vila Progresso, em Santos, Prainha, no Guarujá, e Guapurá, em Itanhaém.
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A Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem. A economia solidária vem se apresentando, nos últimos anos, como inovadora alternativa de geração de trabalho e renda e uma resposta a favor da inclusão social. Compreende uma diversidade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.
Além do encontro, onde pudemos conhecer as oito experiências muito bacanas nesta área, foi um momento muito especial para as pessoas das Comunidades Empreendedoras.
Direto do Túnel do tempo: recordar é viver
TUNEL DO TEMPO
A gente preparou uma surpresa e tanto para o pessoal do Caminho da União e Vila Progresso, em Santos, Prainha, no Guarujá, e Guapurá, em Itanhaém.  Recebemos as comunidades num circulo para conecta-los com os aprendizados. Depois eles entraram num túnel do tempo com registros do que as comunidades vivenciaram desde o GSA até agora.
Fizemos um Círculo de Partilha com as questões: como eu estava no começo, como estou agora, se fizesse diferente, o que faria em 2015?
CÍRCULO DE PARTILHA
“Desde que os Guerreiros chegaram, eu me sinto feliz. Antes eu não tinha objetivo de vida. Eu andava por andar, eu comia por comer. Hoje eu tenho o galpão, tenho as minhas crianças, tenho o Elos comigo. Minha vida mudou 200%. Também conheci outros adultos, vocês todos e por ter vocês comigo, eu sou feliz”, relatou nossa querida Zefinha, do Caminho da União.
“No outro dia, eu recebi mensagem do Tshediso, dizendo ‘Hi, my sister!’.  Quando eu ia imaginar que alguém ia estar lá na África e ainda ia lembrar de mim?”, disse Amanda, do Guapurá, sobre Tshediso Phalane, GSA 2011 da África do Sul e participante do Círculo de Guerreiros de 2014.
“Temos uma batalha muito grande, que é reformar a escola, e a gente vem construindo isso gradativamente. Por que o que acontece. O Poder Público vem com uma proposta, primeiro disseram que iam construir uma nova, depois resolveram que iam fazer uma reforma. Foi muito legal porque o Elos nos empoderou, ajudou a gente a fazer uma oficina de sonhos, mesmo que seja uma reforma, não vai ser uma escola do jeito que eu quero, ou ela quer, vai ser do jeito que nós queremos. A perspectiva é que  gente continue dando foco para estes sonhos que estão acontecendo e esta galera continue empoderada ao longo do tempo”, disse André do Caminho da União.
“Ouvindo vocês, percebo que a gente fez muita coisa externa, mas que também houve muita mudança interna na gente”, disse Marina Engels do Elos.
Feira de trocas
FEIRA DE TROCAS
Uma das experiências mostradas no Inspire-se foi o Clube de Trocas. A feira de trocas acontece no CEU Casa Blanca, Zona Sul de São Paulo, em um sábado por mês; sua primeira edição ocorreu em abril de 2011. Para facilitar as trocas, a feira tem uma moeda social chamada “bagatela”.
“A Economia solidária dá o valor real ao produto, pensando no tempo e no quanto você gastou, se preocupando em fazer cuidando da natureza. É uma nova maneira de ver as coisas, as compras e as vendas”, disseram  Cirlene e Zeni, do Clube de Trocas Casa Blanca.
A ideia da feira de trocas empolgou as pessoas do Guapurá. “O que eu mais gostei foi da feira porque acho que é o mais fácil e rápido da gente fazer lá onde moramos”, comentou Rariely.  “Eu adorei ver o quanto o dinheiro circula durante a feira. Fiquei pensando que nosso dinheiro de verdade também é assim, viaja um monte”, completou Rose.
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“Pra gente falar de onde queremos chegar, precisamos  lembrar de onde se veio.  Não tínhamos nem casa, mas a primeira preocupação do pessoal foi construir uma creche. Isso é a raiz da educação popular. As pessoas deixaram as famílias delas no Norte, no Sul, e vieram construir a família que escolhemos, que são os amigos. Essa é a gênese da economia solidária”, analisou Thiago, da Agência Solano Trindade, que tem como objetivo de fomentar localmente a cultura popular através da viabilização financeira da produção artística da periferia, construindo estratégias de autofinanciamento e sustentabilidade econômica.
“Vendo o Thiago falar hoje, vejo que a ideia não é só ter um objetivo mas saber de onde venho e o que e porque quero mudar”, Henrique  morador da Vila Sapo
O Banco do Bem de Vitória, foi outra organização a mostrar seu trabalho. Depois de emprestar dinheiro para várias iniciativas de economia solidária no morro São Benedito, em Vitória, no Espírito Santo, um grupo produtivo de mulheres inspirou-se na experiência do Banco Palmas, do Ceará, e articulou a criação de um banco comunitário que traria um enorme bem à comunidade. Foi então que 38 artesãos juntaram-se e criaram o Banco Bem, um banco gerido pelos próprios moradores. “Os bancos não atendem quem precisa. Normalmente, atendem quem já pode devolver. A gente começou a estudar tanto que descobriu que banco adora dívida.” Leonora Mol. “Hoje temos mais 103 bancos na rede de bancos comunitários. A gente não faz circulação de dinheiro, faz circulação de nossa riqueza”, complementa.
A Associação de Moradores da Prainha Branca – Guarujá-SP 
A Vila da Prainha Branca está localizada na Serra do Guararu, no Guarujá, tombada historicamente desde 1992 por considerada um bem cultural de interesse paisagístico, ambiental e científico. Sendo uma praia isolada, a procura pelo turismo é crescente. O relato mostrou como a mobilização coletiva pode conseguir mudanças em questões relacionadas ao turismo, mas também educação, saúde e segurança.
“Quando ninguém falava em ecologia, os caiçaras já se preocupavam em manter os lugares preservados. Nós conseguimos muitas coisas, há duras penas, mas, conseguimos. A Prainha Branca é anterior ao Guarujá”, lembrou Cacilda, moradora de lá.
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Além destas experiências, também mostraram seus trabalhos, as seguintes organizações:
Movimento de Integração Campo Cidade – São Paulo-SP. Com 20 anos de existência, o Movimento de Integração Campo Cidade (MICC) pensa na construção de uma relação direta entre pequenos produtores familiares e consumidores, evitando atravessadores. A iniciativa estimula a organização tanto da produção quanto do consumo, contribuindo para articular movimentos rurais e urbanos pela valorização da terra e de quem nela trabalha, evidenciando sua interdependência.
Empreendimento Café Solidário Sonhos e Sabores – Guarujá-SP. Em 2009, a coordenadora da padaria comunitária do bairro Santa Cruz dos Navegantes foi convidada a realizar um coffee break para um grupo de executivos. Para ajudá-la, convidou mais nove mulheres do bairro para produzir pães artesanais e outros quitutes com alimentos orgânicos produzidos localmente na horta comunitária. Assim nascia o Café Solidário Sonhos e Sabores.
Horta Semeando o Futuro, Coletivo Dedo Verde – São Paulo-SP. O Coletivo Dedo Verde desenvolve ações educativas ligadas ao meio ambiente dentro do conceito de qualidade de vida e negócio social, implantando hortas e paredes verdes no bairro e na escola. A horta Semeando o Futuro, localizada numa área de manancial ao lado da Represa do Guarapiranga, no extremo sul de São Paulo, é um sistema agroflorestal em uma área de 300 mil metros quadrados. Desenvolve a produção de hortaliças, integrando as árvores endêmicas da Mata Atlântica como o Cambuci, a Aroeira Mansa, o Pau Brasil e o Pau Jacaré e a criação de galinha caipira. Aberta ao público aos sábados e domingos, vende cestas orgânicas, que também são entregues nas residências.
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