Idéias Participativas



Por Unilson Mangini Jr.

Que o mundo está mudando, todos sabem. É visto na TV, lido nos jornais, revistas e internet. Porém, pouco se fala da mudança das pessoas. De como estão se organizando para tais transformações. Exemplos para isso não faltam. Na área ecológica, logo vem o nome ‘Greenpeace’. Organização que existe há quase 40 anos e atua em diversas partes do globo, inclusive no Brasil. De luta contra desmatamento à campanhas a favor da energia renovável. Eles são referência para uma vida mais sustentável.
Mas algo muito maior está surgindo. Tão grande que engloba até mesmo o Greenpeace. Segundo o ativista social californiano Paul Hawken, “este é o maior movimento social em toda a história, ninguém sabe do seu escopo”. Ele vem estudando este fenômeno há mais de 15 anos, não conseguindo se quer nomeá-lo. Em seu livro Blessed Unrest: How the Largest Movement in the World Came into Being and Why No One Saw It Coming, de 2007, passa para frente sua pesquisa e aprendizado. “É a primeira vez que um enorme movimento social não se juntou em volta de um “ismo”. O que junta são idéias e não ideologias”. Para Hawken, não é possível agrupá-lo, sistematizá-lo, quantificá-lo, se quer defini-lo. Ele o vê como algo ‘caórdico’, que não tem início nem fim. “O movimento não pode ser dividido porque está fragmentado – pequenos pedaços com elos frouxos”, descreve.

Milhares de pessoas e organizações pelo mundo, que muitas vezes nem sabem da existência umas das outras, mas que existem para o mesmo propósito: melhorar o planeta. Se visto localmente, como por exemplo a City Repair Project (Projeto de Reparação da Cidade), de Portland, Oregon, parece uma idéia limitada a sua região. Criado por vizinhos cansados de conviver de forma tão isolada, decidiram mudar. “Nós somos um grupo de cidadãos ativistas criando espaços de encontro para pessoas e ajudando-os a transformar o lugar onde vivem de forma criativa”, assim se definem. Atuam desde 1996, deixando ruas, avenidas e praças mais coloridas, bonitas e vivas. “No City Repair nós vemos que comunidades sustentáveis são construídas quando pessoas trabalham juntas para um benefício comum”, assim descrevem em seu website sua experiência. Em decorrência deste projeto, foram criados City Repair Projects em outros estados americanos, como Califórnia, Washington e Minnesota.
Para quem acha que esta realidade está distante, pense outra vez. Em São Paulo há um movimento similar ao City Repair, chamado Movimento Boa Praça. Ele teve início quando Alice, que completaria 4 anos, pediu de presente de aniversário para a sua mãe um parquinho novo para a praça François Belanger, em Pinheiros. Amigos, parentes, vizinhos, empresas locais e prefeitura se uniram para que esse desejo fosse realizado. Os pic nics mensais na praça foram trazendo mais gente de bairros vizinhos. O Movimento agora já soma os bairros do Alto de Pinheiros, Lapa, Sumarezinho, Vila Romana e Vila Anglo. Assim descrevem a idéia do movimento: “Mobilizar as pessoas, revitalizar e ocupar as praças, devolvendo a elas seu sentido inicial: de lugar de encontro, diversão, debate, inclusão”. Não parece muito diferente da missão do City Repair, não é?

A intenção desta comparação não é mostrar qual iniciativa veio antes, mas sim demonstrar que surgiram para um problema em comum. Voltando a Hawker: “O movimento não concorda em tudo e nunca concordará, porque isto seria uma ideologia. Mas compartilha um conjunto básico de compreensões fundamentais sobre a Terra, como funciona, e a necessidade de justiça e igualdade para todos os povos que participam nos sistemas do sustento da vida no planeta”. Não há como excluir deste grande movimento, por exemplo, organizações religiosas, partidárias, comunitárias ou feministas, pois elas atuam em suas áreas. Para o todo, elas são uma coisa só, e se vistas não pela diferença, mas no que possuem em comum, serão parte de algo bem maior.
“Acredito que prevalecerá. Não quero dizer conquistar ou causar danos a alguém. E não estou
fazendo esta previsão como oráculo. Quero dizer que o pensamento que informa a mente do
movimento – de criar uma sociedade condutiva à vida na Terra – reinará”, conclui Hawker. Em sua última estimativa, estas pessoas e organizações estão em torno de 2 milhões. Mas quantas não surgem a cada dia? Com a missão de melhorar a sua comunidade, mas causando uma mudança de imensa magnitude, se somada a este grande movimento.
Parece uma conspiração. Ações transformadoras tão significativas que somente um super-herói seria capaz. Mas por trás de tudo isto estão pessoas comuns. Bilhões delas. E por trás destes bilhões, trilhões de sonhos sendo pensados, formados, realizados e celebrados. Todos fizeram suas escolhas perante seus sonhos. Chega a hora de você fazer a sua.
Para conhecer:
City Repair Project – cityrepair.org
Movimento Boa Praça – boapraca.ning.com
Paul Hawken – Artigo retirado de seu livro

Unilson Mangini Jr. é Guerreiro Sem Armas, participou da edição 2009.

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