Realizando sonhos coletivos, a história do Jardim Brasília

*por Val Rocha
Cada Oasis é uma história, recheada de sonhos e talentos. Não é diferente com o, uma comunidade na Zona Norte de São Paulo com 1.500 moradores, que através de encontros e desencontros foi construindo uma história maravilhosa com o Elos e outros parceiros.
Em 2013, nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez quando estávamos em busca de uma comunidade para realizar um projeto com um parceiro que, depois, deu pra trás. Mas já era tarde… o encanto do Jardim Brasília já haviam capturado Fernando Conte e Flavia Ramos da equipe Elos, e foi por isso que eles assumiram o desafio de realizar lá o seu primeiro Oasis (saiba tudo sobre o Oasis Jardim Brasilia aqui!). Eles estrearam em grande estilo, trabalhando com uma comunidade que tem sonhos coletivos grandes: eles sonharam construir uma ponte de 23 m sobre o córrego que corta a comunidade. Além de uma organização e distribuição de tarefas profissional, eles captaram recursos equivalentes a R$ 10 mil.
A história do jardim Brasilia remete à década de 1990, época em que grandes projetos foram construídos em regime de mutirão. Esta comunidade nasceu assim: da união de um grupo de pessoas que sonhava em ter um teto e que deu o seu melhor, trabalhando duro até materializar o sonho. Visitar o Jardim Brasília e caminhar por suas ruas ao lado dos moradores é aprender sobre esta história e se apaixonar por cada pedacinho dela. Talvez por isso, o encontro entre o Elos e o Jardim Brasília tenha dado tão certo: ambos nascidos de uma história de realização de sonhos.
O mundo dá voltas, e foi numa destas que voltamos à esta comunidade com o desafio de apoiar o processo de desenvolvimento dos jovens participantes do Programa Jovens Talentos ARYMAX (PJT). Era um dia frio e chuvoso quando o grupo de 13 jovens chegou à comunidade ainda tímido com o objetivo de apoiar a materialização de mais um sonho coletivo: limpar a margem do córrego e criar ali um jardim. Parecia simples, e foi. Antes do final das 48 horas que permanecemos lá, aconteceu muito mais do que isso!
Uma montanha de terra cedeu espaço a um canteiro com uma quantidade imensa de plantas doadas, pneus descartados foram utilizados para delimitar o espaço e um grupo cansado, encharcado e feliz celebrou o que foi realizado. Quando partimos, já era noite e cada um levou consigo as lembranças e a reflexão do que acabara de acontecer. Mal sabíamos que aquele foi só um recomeço: novos sonhos ganharam força ali.
Algumas semanas depois, na primeira reunião comunitária, a comunidade apareceu em peso e decidiu construir um novo centro comunitário para um dos conjuntos habitacionais – o único que ainda não possui uma sede. Parece um sonho grande, mas conhecendo eles, sei que são capazes de realizar, assim como fizeram tudo o mais a que se propuseram até hoje. O que me alegrou, me encantou e surpreendeu, é a mesma coisa que também fortalece e alimenta a minha crença no que faço e no poder que temos quando nos colocamos em movimento para realizar o mundo que sonhamos a despeito do medo, a despeito das previsões pessimistas.
A primeira vez que fui ao Jardim Brasília, saí de lá com algumas frases na cabeça, que foram repetidas inúmeras vezes, por pessoas diversas, em momentos diferentes: “Os jovens daqui não participam”, “Não sei o que fazer para que os jovens venham”, “Que bom ver vocês aqui, não entendo porque os nossos jovens não se juntam a nós”;
Naquele dia, encontrei no meio de todas as reclamações e queixas, o primeiro sonho – e isso nunca se esquece: aquela comunidade sonhava em ter jovens ativos participando do processo, e sonhava em compartilhar com eles a sua história. Sai de lá com um misto de alegria por reconhecer o sonho e frustração por não tê-lo visto realizado. Estes sentimentos foram e voltaram inúmeras vezes até a semana passada, quando recebi uma mensagem do Fernando Conte pelo whatsapp, que dizia:
Definimos o nosso próximo passo elegante: OS JOVENS estão organizando um baile da 3a idade para celebrar os idosos que construíram as casas no mutirão que durou 11 anos.
A mensagem não terminava ali, mas foi nesse ponto que o meu coração parou para celebrar um sonho realizado.
Construir praças e parques nunca foi o objetivo do Jogo Oasis. Estamos falando de construir relações humanas profundas, fortes o suficiente para apoiar cada ser humano a ser a sua melhor versão, e desta forma, realizar o mundo que todos sonhamos aqui e agora.
Isso é possível e foi esta a lição que aprendi no Jardim Brasília.

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