Simone Batista escreve sobre Educação e diz: educadores somos todos nós!

Simone Batista é um de nossos Elos. Ela fez diversos trabalhos colaborativos com a gente, inclusive como membro do Comitê de Seleção do programa GSA. Em 2014, resolveu ser uma Guerreira Sem Armas, e agora faz parte da equipe, além de ter Doutorado em Educação pela USP, e dar aulas de Sociologia, Currículo, Novas Tecnologias de Comunicação, na graduação e pós-graduação na Unimonte, e realiza pesquisa na área de Educomunicação. Uma coisa que deixou todo mundo feliz foi ela resolver dar aulas de alfabetização para Dona Nininha, nossa amada cozinheira. Sabem qual foi a motivação dela? Claro, que queria saber ler as informações que estavam no mercado, no ónibus, mas o maior sonho era escrever uma carta de amor para o marido!!!! Por essas e tantas outras histórias, que Simone escreveu este texto sobre EDUCAÇÃO, que faz a gente pensar em nosso papel ativo no processo de formação da sociedade. simone batista “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem”. (Paulo Freire) Quando penso na palavra educação, sempre me vem a ideia de partilha, de troca de ideias, de aprender coisas novas, de pensar sobre o mundo em que vivemos, na forma que levamos nossa vida, como convivemos com as outras pessoas. Uma das escolhas que fiz na minha trajetória de vida foi ser professora. Já exerço essa profissão há 22 anos e continuo me deliciando com cada partilha em sala de aula, com os aprendizados constantes, com a possibilidade de construir coisas novas a cada momento. Quando comecei a cursar Pedagogia, me encantei com a etimologia da palavra pedagogo – aquele que me dá a mão, que me conduz. Aquele que me diz: vamos, podemos ir juntos! Essa compreensão dos processos educacionais sempre me apaixonou: a possibilidade de fazer juntos, de aprender uns com os outros. A possibilidade de juntos, transformarmos o que nos circunda, o que nos envolve, o nosso mundo. E nesse processo de transformação, nos transformar também. E como dizia Paulo Freire, fonte de inspiração: Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Os homens se educam entre si, mediados pelo mundo. Essa minha trajetória de educadora me levou um dia, nos caminhos da vida, a cruzar com o Instituto Elos, onde também trabalho hoje. O propósito que impulsiona o Instituto Elos é fazer já o mundo que sonhamos e fazer isso juntos, de forma prazerosa, conectando pessoas. Nesse ponto, percebo uma conexão total entre a forma que vejo educação e o que fazemos todos os dias no Elos. Nos mais diversos espaços, com os mais diferentes grupos de pessoas, nós no Elos, trabalhamos com pessoas, com os sonhos, talentos e ideias de cada uma delas. O nosso jeito de viver nessa sociedade é fazer juntos, é aprender fazendo, partilhando todos nossos saberes, acreditando que podemos fazer já o mundo que sonhamos: um mundo mais feliz, um mundo mais belo, um mundo onde cada um possa ser a melhor expressão de si mesmo! Trabalhar com educação traz inúmeros desafios, pois educação acontece em todos os espaços e tempos de uma sociedade. É o conceito de cidade educadora. Ou seja, a escola educa, mas o cinema também educa, o bairro também educa. A minha convivência com outras pessoas na rua, na praia também me educa. Qualquer espaço em que convivemos nos educa, no sentido de que vai nos trazendo repertórios, vai nos fazendo construir significados diante da vida, vai nos transformando enquanto pessoas. Se a educação pode acontecer em qualquer espaço, em qualquer tempo, educadores somos todos nós! O professor é um educador, o pai e a mãe são educadores, o jeito que dirijo meu carro pode educar alguém sobre normas no trânsito. Como nos diz um provérbio africano: “Não basta uma família para educar uma criança. É preciso uma aldeia inteira”. Portanto, um desafio para a educação é que nós nos educamos todos juntos, nas nossas relações diárias, com as escolhas que fazemos e como lidamos com essas escolhas. Diante desse entendimento do processo de educação, as escolas são somente mais um espaço/tempo onde ocorre a educação. Como nossa organização social, de forma geral, colocou as escolas como instâncias privilegiadas de socialização, inclusive socialização de informações e conhecimentos, a imensa maioria das pessoas vive uma parte cotidiana de suas vidas nas escolas, nas salas de aula, convivendo com outras pessoas. Assim, as escolas de tornaram locais importantes de socialização e de formação das nossas identidades, da forma em que vemos o mundo em que estamos inseridos. As escolas estão localizadas nos bairros das cidades, espalhadas por todos os lugares em nossa sociedade. Aglutinam no dia a dia muitas pessoas, desde os alunos, professores, até os funcionários e a equipe técnica administrativa. Também convivem com os cotidianos das escolas, os pais e a comunidade do entorno, os comerciantes, o dono da padaria, a farmácia, a banca de jornal. As escolas são espaços onde pulsa a mesma vida que pulsa nas sociedades, onde pulsa a mesma complexidade. São espaços onde podemos construir tempos para a partilha de saberes, para a troca de ideias sobre as comunidades. As escolas são espaços e tempos privilegiados de encontros de pessoas, onde podemos construir relações mais dialógicas, impregnadas de sentido do que sonhamos e queremos fazer com nossas vidas. São lugares privilegiados onde podemos aprender de forma significativa, uns com os outros. As escolas podem conectar as pessoas, construir elos, fortalecê-los! É assim que penso a escola e a educação! Tempos e espaços que nos humanizem, que façam florescer nossos sonhos e anseios. Uma escola dialógica, amorosa, feliz! Espaço de encontro, de reflexão, de construção juntos do melhor que podemos ser, do melhor mundo que podemos fazer! Referências Bibliográficas: AICE (2004). Carta das Cidades Educadoras (documento policopiado). FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro. Editora Paz e Terra, 1981.

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