Conheça o Programa Geração GSA!

As juventudes – assim, no plural – são muitas e diversas, no Brasil e no mundo. O tempo passou e muita coisa se transformou desde a década de 1980. Os desafios sociais não são os mesmos. As soluções e o perfil de quem as lidera, também não. Se por um lado existe muito potencial, por outro, ainda existem diversos obstáculos a serem enfrentados por uma nova geração de lideranças que vem se formando.

De acordo com o Atlas das Juventudes, uma iniciativa do Em Movimento e do Pacto das Juventudes pelos ODS, “com o avanço da pandemia, a situação se tornou ainda mais grave, ampliando os índices de jovens sem oportunidades de trabalho e também da evasão escolar, com uma parcela significativa da população sofrendo impactos em seu processo educacional. Para além destes pontos, é inevitável ressaltar o agravamento das desigualdades sociais e de acesso à serviços essenciais, dos impactos na saúde mental de jovens, na segurança alimentar e também na segurança pública.”

Diante deste contexto, decidimos criar uma experiência para os jovens “um pouco mais jovens”, entre os 15 e 17 anos. Um programa exclusivo para essa faixa etária e que agora apresentamos para vocês em primeira mão: o Geração GSA!

O Geração GSA foi desenhado para acolher as necessidades e interesses dessas juventudes que serão as lideranças do nosso futuro. Vamos oferecer uma jornada com atividades de autoconhecimento, promover a construção de vínculos, o contato com realidades sociais desafiadoras e a possibilidade de colocar a mão na massa para realizar ações práticas de transformação junto com uma comunidade.

“Queremos fortalecer nessa geração a consciência de responsabilidade social e a percepção de seu próprio potencial, individual e coletivo, para atuar no mundo”, nos conta Mariana Gauche, cofundadora do Instituto Elos.

Acreditamos que é possível transformar o mundo e sabemos que, para isso, é essencial escutar e dialogar, engajar e mobilizar toda a sociedade na construção do futuro mais próspero. E você?

Contamos com seu apoio para espalhar essa novidade! Se quiser saber mais sobre o programa e/ou indicar jovens, acesse o formulário e preencha os dados. Em breve entraremos em contato com uma data para a reunião de apresentação do programa para as famílias.

Saiba mais também sobre o Guerreiros Sem Armas.

Jully Neves: o poder das iniciativas na promoção da diversidade e inclusão

Leia esse artigo em espanhol
Leia esse artigo em inglês.

A origem da palavra utopia é grega e quer dizer “não lugar”. Ou seja, um lugar que não existe.

Quando vejo essa definição lembro da época que meu sonho era transformar o mundo. Eu queria ser uma pessoa que marcasse a história. Pensei nisso por anos, apesar de nunca ter comentado com ninguém. Agora penso diferente. Por qual motivo mudei de opinião, esse sonho deixou de existir? Lá, no fundo, ele existe ainda, mas hoje é diferente. Transmutou.

Entendi que somente por meio do coletivo que uma utopia pode tornar-se realidade.

Quando falamos sobre diversidade, inclusão, direitos humanos, igualdade e demais temas relacionados, a utopia é a idealização de um mundo em que esses valores são parte intrínseca da sociedade.

Um mundo justo, em que todas as pessoas são valorizadas e respeitadas independentemente de raça, gênero, orientação sexual, deficiência, religião ou qualquer outra característica.

É a partir dessa ideia que podemos pensar em um futuro melhor e trabalhar coletivamente para alcançá-lo.

A comunidade é um importante elo na luta pela inclusão e pela igualdade. Por meio do diálogo e da cooperação, é possível promover iniciativas que permitam a abertura e ampliação de discussões sobre temas importantes e fundamentais para garantir uma sociedade mais justa e igualitária.

Essas comunidades podem ser formadas ONGs, coletivos e empresas, que se unem em prol de uma causa em comum. O papel dessas organizações é fundamental porque elas conseguem dar visibilidade para os temas relacionados à diversidade e criar engajamento da sociedade a favor dessas pautas.

Cada pessoa tem um papel fundamental a desempenhar, seja por meio de atitudes diárias, seja por meio de engajamento em movimentos sociais, organizações privadas, públicas, entre outros espaços. Sim, é um trabalho árduo, mas que vale a pena, pois ele se traduz em um mundo melhor para todas as pessoas.

Quanto à diversidade, inclusão e pertencimento podemos conceituar da seguinte forma:  a diversidade é a representação de diferentes pessoas, inclusão é garantir que todas as pessoas tenham oportunidade e pertencer é garantir que todas as pessoas se sintam seguros e valorizadas. Mas como promover  a diversidade, inclusão e pertencimentos nas empresas, por meio de leis, entre outros espaços e ações?

A diversidade e inclusão deve ser vista como uma vantagem e uma riqueza.

Para promover e adotar mudanças reais nos espaços é preciso que as pessoas tomadoras de decisão por via letramento, isto é, treinamentos, palestras e mentorias,  e também por via de manuais informativos. Assim como também a participação representativa nos cargos de gerência, nas oportunidades, nas remunerações justas.

Uma cultura organizacional acolhedora é aquela que valoriza e respeita as pessoas, oferecendo um ambiente de trabalho seguro e confortável.

Quando as pessoas se sentem acolhidas, elas tendem a ser mais engajadas e produtivas, além de permanecerem mais tempo nos espaços. Um departamento específico para lidar com pautas ligadas à diversidade e inclusão é fundamental para promover essas pautas. Esses são alguns caminhos para promover a diversidade e inclusão.

É necessário que as pessoas estejam abertas ao diálogo e dispostas a aprender com as diferenças. É preciso também que haja a cultura da empatia e o respeito ao diferente, entendendo que cada pessoa é única e tem suas particularidades. Conflitos são inevitáveis, mas existem maneiras de lidar com eles de forma consciente e construtiva.

O mundo será um lugar muito melhor se conseguirmos viver em uma sociedade justa e realmente igualitária. Infelizmente, a realidade é outra e o preconceito e a discriminação ainda afetam muitas pessoas. A busca por um mundo mais justo é um compromisso que deve ser de todas as pessoas. E isso só será possível com ações e medidas concretas que promovam a inclusão e a igualdade.

A iniciativa através da coletividade para romper com os rótulos, preconceitos e medo abrem oportunidades para construirmos nossas utopias juntes por um mundo justo, próspero e solidário para todas as pessoas.

Ufa, ainda bem que as utopias existem.

Esse artigo foi escrito pela Jully Neves , GSA de 2017 –  ela recifense bairrista, praticante de arquearia e boxe chinês, uma apaixonada por praia e pirão. É uma mulher negra, LGBTQI+, neuroatípica, periférica e nordestina. Possui formação em administração, direitos humanos e certificação em Metodologias Ágeis. Trabalha como consultora em Diversidade e Inclusão e gestão de projetos sociais. Para ler mais artigos da série, clique aqui.

O Desenvolvimento Territorial é vivo e pulsa no Recife

O Elos está em campo trabalhando para produzir transformações que gerem impacto, de norte a sul do país. Na parceria com o Instituto Shopping Recife (ISR), conduzimos um belíssimo projeto na comunidade Entra Apulso, no bairro de Boa Viagem, um lugar potente e repleto de esperanças para desenvolver seu território. 

Localizado dentro da Entra Apulso, desde 2007 o ISR atua em torno da função social e nutre sua relação com a comunidade promovendo o protagonismo dos moradores e o desenvolvimento de novas lideranças comunitárias. Não por acaso, nove das 11 funcionárias que compõe a equipe são moradoras da região.

Nossa atuação em parceria tem o propósito de reduzir desigualdades sociais e ampliar acesso da população aos serviços de educação, profissionalização, cultura, lazer, entre outros aspectos sociais fundamentais para a comunidade, que enfrenta problemas estruturais, além de outras ausências importantes para o desenvolvimento social.

Para isso, a partir da abordagem da Filosofia Elos, vamos trabalhar em três níveis com o ISR no desenvolvimento dos projetos:

  1. Fortalecer e preparar a equipe do ISR alinhando propósito e estratégia (oficina Comum-Unidades + planejamento IDM);
  2. Capacitar as equipes de projetos para reconhecerem potenciais, fortalecer senso de pertencimento e provocar protagonismo (Vivência Oasis);
  3. Integrar sonhos e visões dos moradores da comunidade com as estratégias e projetos do ISR (encontro de futuro + plano estratégico II + pós-Oasis).

Conheça algumas das iniciativas que estão sendo desenvolvidas na comunidade Entra Apulso:

Farmácia Viva: uma horta comunitária que, a partir da utilização de materiais reutilizáveis, produz alimentos de forma simples e compõe a paisagem com a vegetação.

Brechó do Entra no shopping Recife: a renda gerada apoia projetos da comunidade, creche, entre outras.

Memória do Bairro: esse é um outro projeto que traz informações, orientações e reconhecimento da memória do bairro.

Rede de microempreendedores: projeto de capacitação com reuniões para troca de aprendizagem e um canal de divulgação no instagram e no whatsapp.

Jovem aprendiz: programa de profissionalização em parceria com Senac que qualifica profissionais que posteriormente são contratados pelo shopping.

Chié do Entra: faz a coleta de resíduos orgânicos e produz sabão, biofertilizante, detergente natural, hummus.

Conheça mais sobre a iniciativa e outros projetos desenvolvidos acessando: www.shoppingrecife.com.br/isr 

O protagonismo que encantou o Recife

 

Criar ações e fomentos que impulsionassem o Protagonismo Comunitário foi uma das estratégias do Elos durante a pandemia para gerar impacto social e apoiar todas as pessoas que são lideranças nos mais diversos territórios e localidades. Com 43 anos de história e muita dedicação, a Nação Encanto do Pina, uma das mais importantes nações de maracatu de Pernambuco, conquistou seu primeiro título de campeã do Carnaval, em 2023

A Nação teve um projeto apoiado em uma das fases do Edital Rede Elos. O investimento resultou em maquinários que possibilitaram a criação de diversos produtos de forma autônoma, tanto para o Carnaval, quanto para venda, apoiando na sustentabilidade financeira.

Conhecida por todo o Brasil e com admiradores em vários estados, a Nação pretendia ainda lançar uma plataforma de vendas. Com o apoio do Elos, puderam investir em insumos e equipamentos para produzir os materiais. A iniciativa também recebeu mentoria da equipe do Elos, que realizou atividades sobre planejamento, organização de documentos e orientações sobre captação de recursos e prestação de contas.

Os encantos de uma nação

Encanto do Pina é uma das mais importantes nações de maracatu, manifestação cultural com origens afro-brasileiras e típica de Pernambuco. Foi fundada em 05 de março de 1980, pela Yalorixá Mãe Maria de Sônia, filha do Babalorixá José Eudes Chagas, imortalizado no livro “O Rei do Maracatu”, da antropóloga Katarina Real. A tradição das matriarcas foi além de Mãe Maria de Sônia, e as lideranças femininas seguem até hoje sendo uma forte e poderosa característica da nação encantada.   

Munida de responsabilidade religiosa e sociocultural, sua sede fica junto ao terreiro Ylê Axé Oxum Deym, da Yalorixá Maria de Quixaba, sob as palafitas da travessa da Rua Oswaldo Machado, no Bode, favela do Pina. Recebe moradores da região e pessoas de outras partes da cidade e do estado. Segundo seus integrantes, “vem sofrendo todo o impacto do grande centro urbano que é Recife, mas faz sua história ano a ano, principalmente junto de sua comunidade”.

Desde 2000, é dirigido pelo Babalorixá Manuel Cândido Cavalcante e sua Filha Mestra de maracatu, Joana Cavalcante, que há 15 anos assumiu também a função de mestra do Encanto do Pina, se tornando a primeira mulher à frente de um maracatu nessa função. Pouco tempo depois, Mestra Joana fundou o Movimento Nacional Baque Mulher, em meados de 2011, ação para empoderamento das mulheres da comunidade que se espalhou por todo o país e hoje também tem filiais fora do Brasil.

Com o sonho de investir na economia solidária e criativa como forma de sustentar suas atividades culturais e artísticas que mobilizem as crianças da comunidade e outras pessoas por todo o Brasil, unidas pela valorização deste patrimônio cultural brasileiro e da população preta, periférica e de terreiro, o Encanto do Pina foi além e escreveu seu nome na história da uma das manifestações culturais mais populares do Brasil e do mundo. E é só o começo para quem deseja voos mais altos e um futuro melhor. 

Saiba mais sobre esse projeto em: www.nacaoencantodopina.maracatu.org.br 

Visita de Inspiração como ferramenta pedagógica

A Visita de Inspiração é uma ferramenta pedagógica utilizada nos mais diversos projetos do Instituto Elos. Quando o foco é desenvolvimento comunitário, levamos grupos de moradoras para conhecer comunidades que estão nesta jornada há mais tempo. Em projetos de ensinagem para jovens lideranças o foco é conhecer projetos liderados por juventudes em outros territórios, considerando os desafios específicos de cada local, mas também há pontos em comum quando se trata de ser jovem e líder, ao mesmo tempo.

Na Visita de Inspiração promovemos uma roda de conversa entre comunidade anfitriã e comunidade visitante, na qual as seguintes perguntas são respondidas: Quais caminhos foram percorridos? Quais desafios foram enfrentados? Quais estratégias foram utilizadas para encarar estes desafios? Quais conquistas foram alcançadas?

Além disso, a Visita de Inspiração busca estimular a articulação entre diferentes comunidades e pessoas que percorrem jornadas semelhantes, a fim de compartilhar aprendizados e experiências de um local para outro. Quem anfitriona sempre está, pelo menos, um passo à frente de quem está visitando, podem ser meses ou anos de experiência no processo de desenvolvimento comunitário e/ou de liderança. 

Enquanto ferramenta pedagógica, a Visita pode se inserir em duas etapas da metodologia Elos. Na etapa do Cuidado, que é quando, após definir quais serão os sonhos coletivos que a comunidade quer realizar em um mutirão comunitário, é construída uma maquete que dá forma a estes sonhos e são definidas as estratégias de captação de recursos e materiais para a viabilização destes sonhos. Neste momento, realizar a Visita de Inspiração atende a necessidade de mostrar à comunidade visitante o que pode acontecer quando as pessoas de um determinado local se unem e colocam a mão na massa juntas para realizar o que sonham.  

Outra possibilidade é realizar a Visita de Inspiração na etapa da Re-evolução, momento no qual a comunidade já realizou a experiência de materializar um sonho coletivo e está planejando novos projetos. A visita neste momento é uma oportunidade de inspirar as juventudes e grupos comunitários a darem novos e maiores passos. 

Visitas que transformam vidas

Os depoimentos que recebemos de grupos comunitários e jovens que participam das visitas costumam ser muito positivos e refletem o quanto a experiência é impulsionadora. 

“Eu tô muito feliz, eu aprendi muito. Essas pessoas que estão aqui, que eu conheci. A Vivi deu uma aula pra gente agora há pouco e eu tenho certeza que todo mundo vai levar isso. Mesmo se eu ficasse aqui a tarde inteira, a semana inteira, eu não iria achar palavras pra expressar a emoção que está aqui dentro. Só a gente vivendo mesmo. Até porque eu acho que se eu contar para alguém não vai ser igual. A gente tem que vir e viver esse dia.” Maria Garcia – moradora do Residencial Sirius (Campinas-SP) após visita realizada ao Instituto Favela da Paz no Jardim Nakamura (São Paulo-SP), em 2017. 

No Abraço formamos elos que apoiam a questão migratória no Brasil

Apoiar instituições parceiras na estruturação organizacional de seus projetos faz parte do DNA do Elos e tem sido uma das missões em que tem atuado ativamente. Em mais uma parceria frutífera, colaboramos com nosso conhecimento com o Abraço cultural, organização que por meio da capacitação de pessoas em refúgio oferece cursos de idiomas e de cultura.

O Abraço cultural é uma organização, liderada por mulheres criativas, fortes e visionárias, que desde 2014 tem se empenhado na missão de contribuir para a integração de imigrantes e refugiados na sociedade brasileira, gerar renda e valorização pessoal e cultural dessas pessoas. Com unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, o projeto capacita refugiados para dar aulas de árabe, espanhol, francês e inglês, com metodologia e material didático próprios. Além disso, oferece a estudantes dos cursos a vivência de aspectos culturais de outros países. Hoje conta com uma equipe formada por 38 professoras e professores nos dois estados, entre aulas presenciais e online.

Atualmente, milhões de pessoas vivem em situação de refúgio no mundo. No Brasil, cerca de 61.731 pessoas foram reconhecidas como refugiadas, segundo o relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Em um novo país, essas pessoas diariamente enfrentam desafios para sobreviver de forma digna, tentando superar as barreiras do idioma e da cultura diferentes. E é nesse contexto que o Abraço surge como apoio necessário.

Imersão da gestão do Abraço Cultural no Espaço Elos

No encontro fortalecemos nossos propósitos

Foi durante a pandemia de covid-19 que os caminhos do Elos do Abraço se encontraram. Cacau Vieira, uma das fundadoras do projeto, conta que a gestão do Abraço precisava de um apoio e encontrou um elo parceiro conosco. “A gente sempre trabalhou com muita autonomia, mas nesse caminho tivemos muitos problemas de comunicação, de colaboração, e então procuramos o Elos para nos ajudar nesse processo”. Desde então, nossa equipe tem apoiado o fortalecimento organizacional da instituição, que passou por uma imersão no espaço Elos. 

Para Val Rocha, gestora do Núcleo de Relacionamento do Elos, essa é mais uma oportunidade de colocar em prática nosso propósito como organização defensora dos direitos humanos e atuar em conjunto com instituições parceiras, sociedade e pessoas para desenvolver e aprofundar relações. “Me sinto feliz em colocar o conhecimento do Elos a serviço do propósito de uma organização que atua em uma causa tão importante como o Refúgio”, disse Val.

E a importância do Abraço na sociedade está no coração e na ponta da língua de Cacau:  valorizar as pessoas migrantes que chegam ao Brasil e impactar para desconstruir barreiras sociais, seja pela língua, pela cultura ou pela condição social.

 “A gente sabe como é difícil migrar e viver no Brasil. A primeira coisa é apoiar essa pessoa que está chegando aqui para que ela consiga reconstruir sua vida. Entendemos que essas pessoas migram porque precisam, então poder ser esse apoio, valorizar aquilo que ele traz encanta a gente. Outro impacto é a democratização do ensino de línguas, que ocupa um lugar elitizado na sociedade. Conseguir desconstruir isso dentro de sala de aula, facilitar o acesso e que as pessoas abram o material didático e se reconheçam nele também é muito importante”, afirmou. 

São quase oito anos de estrada e mais de dez mil pessoas já se beneficiaram das ações do Abraço. Para ela, o projeto é um processo de aprendizagem, mas também de ensinagem em que todas pessoas envolvidas são impactadas positivamente. 

“A gente consegue um impacto duplo: a pessoa migrante consegue passar por esse processo de migração sendo valorizado em sala de aula e consegue também entender a cultura local, se comunicar. Quem está aqui aprende um pouco mais sobre o mundo. Acho que isso é o processo de integração, olhar para nós e para o outro”, disse Cacau.

Para saber como apoiar o projeto ou participar dos cursos, acesse o site do Abraço: www.abracocultural.com.br 

Ariane Mates: criando uma comunicação visual incrível para o seu projeto

Como usar a comunicação como força impulsionadora do mundo em que vivemos rumo ao mundo que sonhamos?

Sempre me orientei pelas seguintes perguntas em meu trabalho no Instituto Elos: como fazer com que a nossa comunicação seja tão linda, incrível e transformadora quanto o que fazemos em nosso dia a dia com jovens, lideranças e grupos de pessoas no Brasil e ao redor do mundo?

Como trazer força e visibilidade para o trabalho, ao mesmo tempo em que convidamos mais pessoas para este movimento de aprendizagem, respeito, liberdade, alegria, relações genuínas, consciência, construção coletiva, fortalecimento de comunidade e esperança?

E também: como usar a comunicação como força impulsionadora do mundo em que vivemos rumo ao mundo que sonhamos?

Durante esses 12 anos aqui , cheguei a conclusão de que a linguagem visual do Instituto Elos, além de limpa, precisa ser bela e inspiradora para, genuinamente, atrair pessoas para esse nosso movimento de transformação, onde cada pessoa é importante e necessária.  

Minha ideia hoje é produzir uma comunicação para criar curiosidade, confiança e para convidar quem ainda está fora a construir com a gente por aqui. Para isso, eu acredito, precisamos de uma linguagem inclusiva e afetiva, por meio de imagens e palavras que constroem a nossa comunicação visual.

Sinto que é muito importante cativar com imagens de ações reais, com pessoas interagindo, a distância de um abraço, olho no olho, no momento em que estão altamente engajadas na construção coletiva dos espaços, das relações e do mundo que sonham. 

Por isso, valorizamos muito as parcerias com fotógrafos e videomakers que nos ajudem a captar, por meio de um olhar sensível e atento a abundância que existe em cada lugar, tudo que o nosso trabalho tem de melhor para oferecer.

Trabalhamos por uma comunicação que toque no coração das pessoas.

O Elos tem as suas origens na arquitetura e é fruto de um encontro de estudantes que quiseram exercer a profissão de um modo diferente – de um jeito mais acessível, coletivo e humano. A serviço da construção de um mundo baseado naquilo que as pessoas realmente sonham.

O design gráfico e a comunicação visual fazem parte do processo de organizar essas ideias, esses valores, toda essa crença e comunicar para engajar pessoas.

Por aqui buscamos inspiração nos saberes tradicionais, nas coisas feitas a mão, mas também casando isso com o mundo tecnológico e das mídias digitais que fortalecem o trabalho num nível global e em rede. Transitamos entre esses dois mundos do manual/presencial e do analógico/digital, buscando contar histórias relevantes e transformadoras.

5 dicas preciosas para você pensar a comunicação visual da sua iniciativa.

1) Antes de tudo, entenda qual é a razão de ser da sua iniciativa. Entenda qual é a mensagem que você quer transmitir. Saber isso é o primeiro passo de tudo. Mas se não souber logo de cara, comece a se colocar em ação atento à isso e vai refinando ao longo do caminho.

2) Pense nos seus públicos e como você quer que a sua mensagem chegue a eles. Procure deixar sua comunicação convidativa para as suas principais audiências.

3) Crie a marca da sua iniciativa.  Normalmente, a logomarca é feita de texto e símbolo, então, escolha um nome forte e um símbolo ou elemento visual para represente bem a sua iniciativa.

4) Construa a sua identidade visual. Faz parte dessa identidade, o conjunto de elementos gráficos que você usa para criar peças de comunicação, tais como cores, tipografia, fotos, texturas.

5) Defina uma paleta de cores. Usar sempre as mesmas cores ajuda a criar uma consistência na sua comunicação. Uma identificação.

Agradeço todo o aprendizado ao longo desses anos. Tem sido uma bela jornada de muitas trocas e muita construção. Como designer gráfico, valorizo muito as parcerias e amizades que serviram para me inspirar ao longo desse processo de crescimento e amadurecimento como profissional da área.Vai aqui um agradecimento especial para as pessoas que compartilharam seus conhecimentos e talentos comigo e deixaram uma contribuição especial desse universo da comunicação visual: Andreia Marques, Val Rocha, Rodrigo Rubido, Mariana Motta, Natasha Mendes Gabriel, Thaís Polydoro, Paulo Von Poser, Mila Motomura, Paula Dib, A galera do Ateliê Arte Nas Cotas, a galera do Criqué Caiçara, Ricardo Oliveros, Bruno Matinata, Joana Lira, Eliza Capai, Paulo Pereira, Isabela Senatore e Henrique Neves.


Esse artigo foi escrito pela Ariane Lopes Mates, GSA de 2007 – ela é arquiteta pela California College of the Arts, trabalha no Instituto Elos como designer gráfica desde 2010, onde desenvolve e coordena a comunicação visual da marca e de produtos gráficos institucionais, como o Jogo Oasis e os materiais do programa Guerreiros Sem Armas nas edições de 2011 a 2023. É responsável pelo banco de imagens  e pela diversidade de produtos,  incluindo relatórios institucionais, publicações, materiais pedagógicos e apresentações.

Sementes para o desenvolvimento territorial

Sementes para o desenvolvimento territorial

Como impulsionar o protagonismo comunitário para a transformação social? Uma das ações realizadas pelo Instituto Elos para a mudança que queremos ver no mundo está em viabilizar que as ideias e sonhos se transformem em iniciativas. Compreendemos que começar um projeto social na comunidade necessita da garantia de recursos financeiros para os materiais necessários, de mentoria para gerir esses materiais e as ações previstas, de orientação especializada no tema do projeto.

O Fundo Semente é a forma que encontramos para impulsionar o Desenvolvimento Territorial. Em algumas consultorias do Instituto Elos para empresas, implantamos editais de seleção de projetos, com Fundo Semente para aquisição dos materiais, juntamente com mentoria da equipe Elos e orientação para todas as pessoas interessadas em serem protagonistas em seus territórios. 

É apoiar a plantar a semente e estar junto com as pessoas no desenvolvimento das habilidades necessárias para conduzirem suas ideias e verem os resultados acontecendo. 

Conheça os projetos desenvolvidos no Saboó, bairro de Santos-SP, e na Vila dos Pescadores, em Cubatão. 

As parcerias intersetoriais ampliam o desenvolvimento territorial, e através delas temos atuado para colocar em prática a metodologia Elos de transformação social. Com ações voltadas para impulsionar o protagonismo comunitário, nas duas localidades foram oferecidos editais com Fundo Semente para viabilizar as ideias e sonhos e realizar projetos sociais. 

No bairro do Saboó, a iniciativa em parceria com o Brasil Terminal Portuário (BTP), dentro do Programa de Educação Ambiental da empresa, permitiu movimentar o território com três iniciativas distintas: Animal Saudável no Saboó, Ateliê Recicla Pantanal e Statera Reciclar e Transformar. 

Na Vila dos Pescadores, em Cubatão, cinco iniciativas estão em andamento e outras começam a serem colocadas em prática. Conheça os projetos no vídeo: 

GSA em Movimento: O Olhar de Sérgio Luciano

O Olhar de Sérgio Luciano

Foi aos 5 anos, um pouco mais ou um pouco menos. O Sérgio Luciano correu para se esconder atrás de uma cortina, os pezinhos descobertos anunciando onde estava, bem na sala de casa. Sérgio morava em Barbacena, Minas Gerais, isso foi muito tempo antes de participar do Guerreiros Sem Armas, em 2014. Quando era criança, ele contou, avisaram assim nos noticiários:

“Uma pessoa evadiu-se hoje do Manicômio Municipal. Recomendamos atenção”. Ou alguma frase parecida com essa.

E foi aí que o pequeno Sérgio ficou mesmo atento. Tanto, que percebeu rápido que a pessoa que andava mundo afora entrou bem na cozinha da sua casa, sua mãe estava por lá. Se encontraram na porta.  Foi neste momento que ele correu para atrás de uma cortina que cobria quase o corpo  inteiro, só os pezinhos do lado de fora; as crianças são assim, cobrem os olhos, acham que esconderam a existência inteira.

Essa é a lembrança que o Sérgio convoca todas as vezes em que busca costurar os motivos e as motivações para fazer o que faz, para levar a vida que leva.  Fundou ao lado da Laura Claessens, companheira de vida e de propósito, a Colab Colibri, que busca apoiar o mundo para uma comunicação consciente. Mas essa história vem daqui a pouco. Os pontos a gente liga olhando pra trás.

Sua mãe estava na cozinha, olhando para o olhar daquela pessoa que ainda vestia uma roupa larga e branca, com uma caneca na mão. E o pequeno Sergio estava ali também, escondido, atento a tudo como se aquele encontro fosse um filme da TV.  E ele estivesse assistindo.

O primeiro movimento da mãe, a mão no ombro do homem, um convite para ele ir ao quintal, e nada. Não quis. No segundo movimento o homem aceitou, caminharam. E foi aquilo que educou o olhar de Sérgio até os dias de hoje. Ele acredita que para essa vida inteira.

“Minha mãe buscou uma outra abordagem. Pegou um biscoito e um pouco de leite, ofereceu. Passaram a conversar, sabe, ela quis saber de verdade como aquele homem estava se sentindo, o que tanto procurava. Andaram, sentaram-se do lado de fora da casa. Esperaram meu pai, que estava perto”, contou.

Foi assim que o Sérgio entendeu, na prática, que mudar o olhar sobre os lugares, as coisas e as pessoas, transforma tudo ao nosso redor. Para fora e para dentro. Feito o que sua mãe fez. O mundo insistia em perceber aquela pessoa de um jeito, a mãe a percebeu de outro. Acolhimento, respeito, atenção e intenção para este encontro.

“Desde então”, e sobre isso ele só pensou anos atrás, “eu olho a sociedade como um lugar em que todo mundo quer colocar uma ‘camisa de força’ no outro ao invés de oferecer escuta,  de ser inclusivo de verdade”, defende.

“Ao invés de olhar as pessoas como uma polarização constante, eu passei a olhar cada um com  os seus próprios desafios, suas questões, que são diferentes da minha. Que é justamente o que torna este indivíduo único e interessante”. 

Uma forma de explicar o seu trabalho hoje é assim: é preciso criar espaços seguros para que as pessoas se encontrem, construam, se acolham. E lugares assim pedem pessoas dispostas a negociar antigas formas de olhar o mundo.

Sérgio aprendeu, e defende, que é preciso ler as pessoas e os lugares para além dos julgamentos, para além do que o olhar apreende da realidade.

“A violência não começa na atitude, mas no jeito de pensar”, disse durante a conversa.

Existe uma série de preconceitos dentro de nós prontinhos para saltar na frente da boca, antes da primeira palavra, dizendo coisas assim, assim que chegamos: aqui só tem pobreza, aqui não tem esperança nem pessoas talentosas. Aqui falta tudo.

“O Olhar vem deste lugar: perceber o que está para além daquilo que é julgamento, para além da superfície, para além do óbvio. Porque no campo do óbvio, eu segmento rapidamente entre o certo e o errado”. 

“Entrar nas conversas, nas relações e nos lugares se colocando disponível para trocar de óculos sempre que necessário é o que nos faz ver coisas onde muita gente já desistiu”. Os óculos aqui, defende Sérgio, são as nossas crenças, o que constrói as identidades de cada um. Existem mil maneiras de ver a mesma coisa.

Na página de Colibri, um resumo prático não só de crenças e valores de Sérgio e Laura, mas das teses que  ele defende. Perceba os nomes dos cursos: Democracia Profunda: a arte de escutar todas as vozes; Desconstruindo Imagens do Inimigo; Treta, da Polarização ao Diálogo, e por aí vai. 

Tudo que ele entrega ao mundo é sobre uma mudança de olhar sobre o que a sociedade já cristalizou como verdade: nem todos tem realmente com o que contribuir; inimigo se combate, não se dialoga; eu não me sento à mesa com quem pensa diferente, e por aí vai.

Quando se entra nas situações com determinadas lentes, se entra já capturado pela situação, a primeira pérola que ele soltou foi essa. A gente tem mais lentes do que aquelas que usamos no dia a dia, foi a segunda. A terceira foi um bom resumo de tudo, um bom jeito de terminar essa conversa: eu preciso aprender a ler as coisas para além dos nossos próprios julgamentos.

GSA em Movimento é uma série especial que irá passear por todas etapas da Filosofia Elos: Olhar, Afeto, Sonho, Cuidado, Milagre, Celebração e Re-Evolução, a partir da pessoas participantes do programa Guerreiros Sem Armas – GSA. A segunda reportagem será publicada em 2 de março.

Com poucos centavos você pode fazer a diferença para o Elos

Arredonde seu troco das compras e faça a diferença
A parceria entre o Instituto Elos e o Arredondar, continua firme e forte. Em 2023 as lojas parceiras onde você pode arredondar e apoiar o trabalho do Elos cresceu, anota aí: quando comprar nas lojas do Litoral Paulista do Mercado Extra, Compre bem, Mini extra, Pão de Açúcar e Minuto Pão de Açúcar, pede para arredondar!
Movimento Arredondar tem fortalecido a iniciativa de coletar e repassar os centavos arredondados nas compras em supermercados para ONGs em todo Brasil. Cada centavo arrecadado já beneficiou pelo menos 100 mil pessoas atendidas por organizações sociais, dentre elas o Instituto Elos, que passou a contar com essa colaboração substancial.
 
As doações acontecem no ato de pagamento das compras em dinheiro no caixa de qualquer uma das lojas participantes. Os clientes são convidados a arredondar o valor total e doar, sem a necessidade de fornecer nenhum dado. A iniciativa funciona para qualquer tipo de compra e pode ajudar significativamente o trabalho desenvolvido pelo Elos.
 
Desde setembro de 2022 o Elos vem sendo beneficiado com as doações dos supermercados Extra, Mini Extra e Compre Bem. E este ano também passa a ser contemplado com o arredondamento dos centavos feito nas lojas Pão de Açúcar e Mini Pão de Açúcar, sempre do litoral paulista.
 
Com seu apoio, podemos transformar sonhos em realidade. Arredondar é doar!