Certificação em Direitos Humanos

O Instituto Elos foi recebeu o  Certificado de Entidade Promotora de Direitos Humanos, a certificação é feita pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Governo do Estado de São Paulo.

Para a obtenção do Certificado é preciso que a entidade não tenha fins lucrativos, e além disso,  dedique suas atividades à defesa dos direitos humanos, mediante a difusão, promoção e ação dos direitos fundamentais da pessoa humana. Este certificado reconhece publicamente a atuação do Elos na defesa e promoção desses direitos como atividade principal da organização.

O trabalho do Elos junto às comunidades promove o protagonismo comunitário. Através do trabalho coletivo acreditamos que pessoas e comunidades descobrem então, como ser agentes de transformação da própria realidade. Trabalhar junto permite que as pessoas apoiem umas às outras, fortalecendo o senso de comunidade e os vínculos de convivência.

 

Instituto Elos premiado por Inovação e empreendedorismo social

Rodrigo Rubido recebeu o prêmio Eliasson Global Leadership da Tälberg Foundation pelo trabalho desenvolvido no Instituto Elos. Isso significa um reconhecimento internacional pela inovação e empreendedorismo social.

O Prêmio de Liderança Global Eliasson, nomeado em homenagem a Jan Eliasson, um dos diplomatas globais mais bem sucedidos de nossa era, é concedido anualmente a líderes destacados de qualquer país e qualquer disciplina cujo trabalho seja inovador, otimista, corajoso, enraizado em valores universais e globais. em implicação.

Os vencedores do prêmio podem ser indicados por qualquer pessoa, em qualquer lugar e são selecionados por uma votação secreta de um júri composto por líderes globais.

Cada vencedor do prêmio recebe US $ 50.000 – possibilitados pelo generoso apoio da Fundação Stavros Niarchos – e o envolvimento com uma rede de líderes comprometidos em levar nossas sociedades do que elas são para o que poderiam ser.

No caso do Instituto Elos, o prêmio recebido foi investido integralmente na realização do Guerreiros Sem Armas 2018.

Saiba mais sobre a Tälberg Foundation e sobre o prêmio Eliasson Global Leadership >>

Prêmio Melhores ONGs Instituto Criar

Em 2017 o instituto Elos foi reconhecido como uma das 100 melhores ONGs do Brasil, uma iniciativa do Instituto Doar e Revista ÉpocaRodrigo Rubido Alonso Natasha Mendes Gabriel e Mariana Gauche Motta cofundadores do Elos  receberam o prêmio em nome da equipe.

“Parabéns! Em um período tão complicado para o Brasil, sua organização, em conjunto com todas as demais, está fazendo a boa história neste país. Obrigado por existirem, melhores! E sigam melhorando!”, Marcelo Estraviz.

Atualmente temos 300 mil ONGs atuando no Brasil, estar entre as 100 é um presente na nossa trajetória desde os anos 2000. A importância deste prêmio está no fato de estimular boas práticas entre as organizações do terceiro setor. Aspectos como transparência, credibilidade e maturidade organizacional fazem parte dos critérios utilizados para selecionar as organizações. No caso do Elos este foi um dos estímulos para a criação da nossa página “Transparência”, um espaço digital público onde qualquer pessoa tem acesso a documentos e questões estruturantes da nossa organização.

Outro objetivo dos organizadores do prêmio é ajudar potenciais doadores a saberem que estão investindo certo, ou apontar algumas organizações em que você pode confiar para investir o seu recurso.

O Instituto Elos recebe doações de pessoas físicas e jurídicas, e esta é uma poderosa fonte de viabilização para que possamos seguir criando tecnologias sociais inovadoras e de uso livre. Atualmente, todo recurso doado para o Elos é revertido para a realização do programa Guerreiros Sem Armas, quer saber mais? Gostaria de fazer uma doação para nós? Clique aqui para doar qualquer valor>>

Encontro com Charles Eisenstein no Espaço Elos

O encontro com Charles Eisenstein foi muito especial em muitos sentidos, no sábado (26 de novembro). O fato de acontecer no Espaço Elos, mostra que estamos na direção certa, pois antes de estar pronto, cada vez mais vai tomando a forma do que sonhamos para o futuro: de um lugar aberto para o aprendizado junto com a comunidade.
Com a presença de mais de 50 pessoas, Eisenstein foi  muito generoso na sua fala, em especial na menção ao nosso trabalho, assim como ao desenhar o encontro deixou espaços para participação de todos. Além disso, todos puderam experimentar na prática a cultura da dádiva ao compartilhar um piquenique comunitário com colaboração de todos.
Dentro do espírito da cultura da dádiva, ele além de não cobrar nada da gente, deixou alguns exemplares do seu livro lançado no Brasil, “O Mundo Mais Bonito que Nossos Corações Sabem Ser Possível“, pela Palas Athena.
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Entender o que fazemos
O Elos tem um profundo entendimento daquilo É importante o entendimento sobre as coisas que estamos fazendo, mesmo porque só podemos fazer aquilo que podemos entender.
É muito difícil colocar certas coisas que vivi aqui em palavras, mas se fosse escolher uma, seria humildade. Muitas organizações chegam em algum lugar achando que sabe a solução, como se dissessem “Eu sei o que vocês precisam”. O que elas não entendem que este “aquilo que você precisa” é um reflexo sobre o que elas mesmas precisam.
Interessante notar que o Elos chega nas comunidades com uma pergunta simples (Quais os seus sonhos?) e uma visão apreciativa sobre as pessoas e os lugares.
Quando fomos visitar a Vila Progresso, tinha muitas crianças nas ruas, elas se sentiam seguras, elas conheciam todo mundo, e as ruas eram extensões das suas casas. Ou seja, a casa delas era muito maior do que qualquer milionário. Uma riqueza que está além do dinheiro pode comprar. A riqueza do pertencimento. Não se trata de uma vida perfeita, assim como a dos ricos também não é. Eles vivem com insegurança e medo.
O Elos não está cego para a pobreza, mas não está cego para as riquezas presentes nos lugares Muitas vezes as pessoas não sabem sobre suas riquezas, por isso é importante a pergunta “o que é bonito aqui?” (primeiro passo da Filosofia Elos – busca das belezas). A beleza é uma indicação do que pode ser construído no futuro. O desenvolvimento não deve ser uma imitação cega de um conhecimento externo, mas surgir de um chamado do coração, e agir conforme este chamado. Quando o coração entende profundamente estas questões, pois assim novas coisas podem surgir.
Eu sei que vocês já sabem disso, mas é bom quando uma pessoa de fora fala sobre isso.
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É muito complexo falar sobre ativismo, o que é global, o que é local. O sentido de ser para tudo e para todos, ou seja, tudo o que acontece ao meu redor, está espelhado em mim. Se alguém faz algo de ruim para mim, que parte dessa pessoa representa em mim? Os relacionamentos complicados, como os políticos, os desafios que surgem em trabalhos comunitários, cada encontro fala de uma coisa sobre você. Mais do que interdependência, de um relacionamento condicional, ela é parte de mim, então, o que acontece a ele, em uma parte de mim também acontece.
Com a tecnologia entraram em campo forças extraordinárias de separação. Quando meu pai era jovem todas as crianças brincavam nas ruas, e todos se conheciam. Quando eu era jovem, isso acontecia, mas num grau muito menor. Hoje moro num lugar com mais de 500 famílias e todas estão dentro de casa, e não crianças nas ruas. O que vemos são as luzes azuladas das TVs. Na época do meu pai, quando fazia calor todos iam para as varandas, e as pessoas conversavam umas com as outras, hoje ficam em casa com ar-condicionado. Substituímos as comunidades por serviços, tudo o que você precisa, pode ser comprado ou pago.
No Taoismo quando algo chega ao seu extremo, faz algo nascer em direção oposta. A Internet está fazendo com que as coisas que eram invisíveis, visíveis. Por conta das câmeras dos celulares, segredos estão vindo para superfície. A separação nasce do segredo. Na nossa sociedade tudo é feito entre 4 paredes. A tecnologia que nos manteve separado, pode nos trazer de volta para vivermos juntos, porque ela está criando uma nova transparência, e podemos usar isso a nosso favor. Preservar os conhecimentos que estão desaparecendo, por exemplo.
Neste momento, Charles Eisenstein dividiu os participantes em grupos, para que eles partilhassem histórias de sabedoria popular com os outros.

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 Futuro precioso
Qual futuro que queremos? Pense em algo muito precioso que estamos perdendo. Este é um excelente indicativo de onde podemos chegar. Neste momento da história que tudo está ruindo, devemos estar aberto para tudo o que se rejeitou no passado. Xamãs, capoeira, conhecimentos populares, essas coisas que costumam dizer que é coisa do velho Brasil, digo, que o mundo precisa destas coisas, porque se vamos depender somente do que a tecnologia produziu, olha onde os Estados Unidos chegaram.
Cultura da Dádiva
Pagar por uma pizza não é uma dádiva, porque quando você dá dinheiro por uma pizza, você vai receber pizza. Na cultura da dádiva existe um tipo de relacionamento, onde não há o uso da coerção para ter algo de volta.
Atualmente você paga por remédios, para alguém cuidar das crianças, para se sentir seguro. Você não precisa mais da comunidade. A generosidade acontece quando as coisas circulam entre todos e acaba voltando para você, porque quando se enriquece a comunidade, todos se tornam ricos.
Hoje vivemos uma competição artificial. Não é que não existem terras suficientes ou frutas suficientes. O que não tem é dinheiro suficiente, porque o sistema criou uma ideia de emprestar dinheiro e cobrar juros altos por isso.  Então, isso beneficia um grupo pequeno de pessoas. É nesta ausência de medo do que falta, e o foco na abundância que faz o Elos criar coisas miraculosas.  Pessoas naturalmente gostam de doar, mas falta criar uma cultura e espaços para que isso aconteça.
O que vivi no Brasil me tocou profundamente . Eu vim para cá com algumas perguntas sem respostas. Não que alguma pessoa me desse estas respostas, mas porque a atmosfera daqui me permitiu alcançar estas respostas.

Festival Elos: novas narrativas

As sociedades atuais apresentam inúmeras complexidades e desafios, próprias de um panorama global interconectado nos âmbitos econômico, social, politico, cultural e ambiental, atravessando, transversalmente, as relações sociais e ambientais pela tecnologia e os meios de comunicação. Evidenciam-se disputas de identidades por focos de resistência numa relação complexa entre centro e periferia, abrindo espaço a tensões criativas por novos atores, novas narrativas e novas coletividades que, inspiradas na abundancia, tem estabelecido relações de solidariedade como resposta ao esfacelamento dos tecidos sociais, a crescente desigualdade e a insistente concorrência que impõe um sistema de desenvolvimento baseado na escassez. A mesa: “Uma nova narrativa para o mundo que todos sonhamos” dispõe-se a refletir sobre os horizontes possíveis que abrem as comunidades de resistência nas tensões presentes entre os âmbitos global e local.

Quais os novos parâmetros para formação de comunidades? Que práticas comunitárias sustentáveis estão ao serviço da comunidade? Pode a comunidade, baseada em relações de confiança, trazer novas alternativas para o mundo?, são algumas das perguntas que iram orientar a discussão.

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Diego Vicentin (UNICAMP) iniciou a última roda de conversas sobre Novas Narrativas. Ele falou sobre como as decisões tecnológicas são no fim das contas decisões políticas.
“Hoje o domínio da tecnologia está centrada na mão de poucas pessoas, sendo que a internet virou um aparato de controle e vigilância. Mas quando há uma pressão de cima para baixo, os focos de resistências começam a aparecer, como no caso das redes comunitárias, que operam em faixas de rádio”.

Um exemplo que ele deu, foi do Buckminster Fuller, que decidiu fazer “uma experiência: descobrir o quanto poderia um único indivíduo contribuir para mudar o mundo e beneficiar toda a humanidade.” No meio século que se seguiu, Fuller presenteou o mundo com um largo espectro de ideias, projetos e invenções, que visavam essencialmente a eficiência e o baixo custo de habitações e transportes.
“Assim como Buckminster é necessário trocar a chave, pois a economia está baseada num modelo de escassez, quando na verdade a inteligência humana pode prover a todos com um projeto de vida, e não de morte”.
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Luanda Nera (Nossa São Paulo) fez a segunda fala da última roda de conversas. Ela apresentou o projeto Mapa de Desigualdade que reúne diferentes dados econômicos, sociais e culturais por região de São Paulo, e que podem servir de base para formulação de políticas públicas.
“A meta é criar um banco de boas práticas, com soluções viáveis para uma mudança sustentável. A partir do Mapa da Desigualdade fica visível quais os índices que devem ser melhorados em São Paulo, e um dia em cada região ter todos os serviços (centros de cultura, cinema, saúde, escolas) num raio de 300 metros de unidade de vizinhança”.

É uma surpresa para os envolvidos que a expectativa de vida em Pinheiros seja de 80 anos, e em Cidade Ademar menos de 50. “Os dados tiram a ideia de uma cidade estereotipada e coloca números reais que precisam ser trabalhados”.
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Claudia Visoni (Hortelãos Urbanos) encerrou a roda de conversa  sobre Novas Narrativas, dando uma aula de ativismo comunitário.
“Todo o nosso sistema é baseado numa ideia de escassez, que não tem para todo mundo, então cada um tem que garantir o seu. Não fomos educados para a cooperação, para agir dentro de um modelo em que um possa apoiar o outro”.
Para quem estiver disposto a se transformar, seguem as dicas da Claudia:
1. Ouvir é mais importante do que falar
2. Viabilizar a ideia de outra pessoa do que criar uma nova
3. Igualdade na divisão do trabalho ao invés de muitos trabalharem para as idéias de poucos
4. Acreditar na abundância, ou seja, que tem para todo mundo
5. Aceitar o caos, levar o imprevisto com leveza
6. Muitos projetos se enfraquecem porque o projeto vira de fulano e não de todos
7. Colocar a mão na massa usando o que se tem a mão. Coisas impossíveis acontecem neste momento

O Festival Elos é uma parceria com a Codesp, e tem apoio da EC Juventude da Nova Cintra, G.R.C.E.S.Unidos dos Morros, Paróquia São João Batista, Subprefeitura dos Morros de Santos – PMS, Secretaria de Cultura – PMS, SESC Santos, Sociedade Melhoramentos Morro Nova Cintra, Unisantos. Apoio Institucional ADM

Festival Elos: projetos inspiradores

Em diversas comunidades têm surgido projetos comuns, criando relações éticas, dando prevalência aos interesses coletivos sobre os individuais, e promovendo relações de sustentabilidade sociocultural, socioeconômica e/ou socioambiental. Na presente mesa: “projetos comunitários inspiradores”, quatro experiências incríveis que tem inspirado diversos projetos e cultivado relações de solidariedade em função do mundo que todos sonhamos.
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A roda de conversa sobre Projetos Inspiradores começou com a exibição do documentário Aluguel de Chão, feito por moradores de comunidades da Baixada Santista, por meio da união entre Guerreiros Do Progresso, Instituto Elos e Instituto Querô.
Antoniela Girassol. produtora do documentário, contou sobre a experiência de subir os morros, e como tem um processo de desconstrução do olhar para uma realidade que não é como a maioria das pessoas da cidade baixa tem de lá.
“Chega um momento que parece que a gente já sabe tudo, já sabe como faz as coisas. Veio o convite para as oficinas que resultou no documentário, e na primeira exibição, que estavam presentes moradores da Vila Progresso, José Menino, Teteu, Vila dos Criadores, e atinge um lugar neles que a gente não conhecia, foi muito transformadora a experiência”.

Dona Maria contou como foi que a experiência que eles viveram no Guerreiros Sem Armas, na Comunidades Empreendedoras, a criação do Guerreiros da Progresso e como o cinema de rua, continua firme e forte, unindo as pessoas, e em especial, as crianças. Falou do sonho da praça, que começou com seu marido, e que foram feitos mutirões, saraus, e hoje a Prefeitura terminou e vai ser inaugurada, como uma conquista da comunidade.
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Indio, Diretor de Harmonia da Unidos do Morro, veio contar um pouco da história da escola de samba, sua relação com os morros de Santos, na roda de conversa sobre Projetos Inspiradores.  Ele contou que os morros representam a segunda maior comunidade de Santos, e que o sonho da escola é mostrar a força da comunidade. A Unidos tem representantes de todos os 19 morros daqui, e todas as lideranças são ouvidas pela escola. Tanto que esta união deu origem ao movimento político local, a coleta de óleo, que ajuda a preservar o ambiente. Formação de 9 grupos de aderecistas, que confeccionam dentro da comunidade as fantasias do desfile, e é a única escola de samba que não manda para fora e atelies de São Paulo. Fundaram a Escolinha de Percussão para crianças, Escola de Dança e formação de piloteiras, ou seja, quem sabe fazer os moldes para o corte e costura das fantasias. Tem uma ala de compositores fixa, e assim os sambas enredo não passam por concurso de compositores que não pertencem a comunidade.
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Renato Marchesini, da Caiçara Expedições, veio falar sobre Turismo de Base Comunitária. “Eu queria fazer um outro tipo de turismo, que fosse transformador: tanto para quem recebe, quanto para quem visita. o início as pessoas torciam o nariz, dizendo que turismo é visitar a Torre Eiffel, o que tem nestes locais que você quer ir?”
A resposta dele é a mesma que nos move: “revelar as pessoas, suas histórias, riquezas, o patrimônio imaterial, e tem um monte de gente querendo conhecer, porque as pessoas gostam de boas histórias e de histórias verdadeiras”.
Termina falando da necessidade de criar algo coletivo, é necessário se abrir para o diálogo, e que respeite simples regras:
1. Ser socialmente justo
2. Ecologicamente correto
3. Economicamente viável
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André Folganes Franco da Rede Interação, foi falar sobre os projetos de Poupança Comunitária, Censo, e Intercambio, que eles fazem com diferentes comunidades no Brasil.
Eles foram certificados pela Fundação Banco do Brasil e foram convidados para atuar em 124 empreendimentos do Minha Casa Minha Vida, atendendo 82 mil famílias, em 22 Estados. Se por um lado isto atendeu a demanda da equação Transformação Local x Escala, eles descobriram o que de fato importa:
“O grande desafio da mobilização comunitária não é transferir o conhecimento ou uma tecnologia social, e sim tocar o coração da pessoas, transferir nossos sonhos e nosso propósito. Porque no fundo, todos sabemos que é muito gostoso fazer parte de alguma coisa maior do que nós mesmos”.

O Festival Elos é uma parceria com a Codesp, e tem apoio da EC Juventude da Nova Cintra, G.R.C.E.S.Unidos dos Morros, Paróquia São João Batista, Subprefeitura dos Morros de Santos – PMS, Secretaria de Cultura – PMS, SESC Santos, Sociedade Melhoramentos Morro Nova Cintra, Unisantos. Apoio Institucional ADM

 

Festival Elos: território e identidade

Uma comunidade se cria tanto num espaço físico quanto num campo afetivo. Os rituais, as tradições, a composição demográfica, e a relação das pessoas com o ambiente, dentre outros fatores, estruturam o contexto espaço-temporal que cria diversos sensos de pertencimento num determinado território, possibilitando ou não a construção de laços de vizinhança entre um grupo de pessoas. Existem diversos tipos de organização social, por meio da qual as pessoas procuram dar resposta as suas necessidades vitais (materiais e simbólicas), criando, também, disputas por inclusão nas relações centro-periferia.

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Qual é o papel do território e das identidades na construção de uma comunidade? Pode ser a comunidade uma forma de organização na construção de sociedades diversas e inclusivas?,

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Falar sobre fronteiras internacionais não faz mais sentido. As cidades se tornaram o lugar do fluxo do dinheiro, da tecnologia. 65 milhões estão em deslocamento, 250 milhões de imigrantes e refugiados, e o mundo está convivendo com esta tensão, criando barreiras, pontos de controle. Hoje o que existe são fronteiras sociais” . Professor Doutor Reginaldo Nasser (PUC SP) na segunda roda de conversa sobre Identidade e Território.

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“O que me encanta nos morros de Santos é a diversidade que acontece aqui, variedade de origens, de cultura, de fluxos. A fronteira não precisa necessariamente aquilo que nos separa, e sim, uma porta para conhecer o outro”. Natasha Mendes Gabriel (Instituto Elos)

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Como usar uma ponte para unir e não separar? Nasci num lugar de impossibilidades, mas aprendi muito, porque lá as pessoas sabem muito como transformar barreiras em oportunidades. Claudinho Miranda

O Festival Elos é uma parceria com a Codesp, e tem apoio da EC Juventude da Nova Cintra, G.R.C.E.S.Unidos dos Morros, Paróquia São João Batista, Subprefeitura dos Morros de Santos – PMS, Secretaria de Cultura – PMS, SESC Santos, Sociedade Melhoramentos Morro Nova Cintra, Unisantos. Apoio Institucional ADM

Festival Elos: o sentido de comunidade

Aristóteles, filósofo da Grécia Clássica, distinguia a necessidade própria dos homens de viver em conjunto, onde o homem, imperfeito e carente, encontrava a sua forma integral na comunidade, sendo então um animal politico. Do grego  koinonía (comum), surge a essência nas relações cristãs que vinculam o “um” com os “muitos”, levados a constituir relações éticas no reconhecimento da relação com o outro, baseados numa organização comunitária. Os Aimarás estruturam sua forma de organização social e econômica através da unidade básica Ayllu (comunidade), sobre a crença da complementariedade entre pares opostos. O conceito de comunidade atravessa a maioria de culturas em diversos períodos, estruturando bases organizacionais e inspirando relações recíprocas de solidariedade em sociedades antigas e modernas.
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Quais os conceitos fundamentais da comunidade? O que podemos aprender das Comunidades Tradicionais? O que precisamos transformar em nós para impulsionar a vida comunitária? São algumas das perguntas que orientam a discussão na mesa de abertura: “Cultivar comunidades para construir o mundo que todos sonhamos”.
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Rodrigo Rubido (Instituto Elos)  foi nosso mestre de cerimônias, e abriu a primeira roda de conversa do Festival Elos falando sobre o sentido de comunidade: ” Aprendemos muito aqui nos Morros, os lugares que estão atrás dos cartões postais de Santos. Aqui tem um tesouro sobre o que é comunidade”.
Fez os agradecimentos para a CODESP, porque o Festival aconteceu porque nos inscrevemos para um edital. A ADM, que fez um aporte financeiro institucional no final de 2015. A Sociedade Melhoramentos da Nova Cintra; G.R.C.E.S. Unidos dos Morros; Direção, Coordenação Pedagógica e Professores das escolas Deputado Rubens Lara e Dr. Cyro Athayde Carneiro; SESC Santos; Unisantos, Unisanta, Unifesp, Unimonte. Prefeitura Municipal de Santos, em especial, ao Bezzi da Regional dos Morros e o Fabio da Secretaria de Cultura. E aos moradores da Nova Cintra, Santas Maria e Vila Progresso que vão receber os participantes durante os próximos dias!!!

Ele explicou que o Elos começou a ver comunidades em todos os lugares que a gente trabalha, pois tinham uma identidade comum: bairro, escola, empresa.
“O bom é quando tem um propósito em comum, quando um apóia o outro para a construção de um bem comum”.
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Kaka Wera, criador do Instituto Arapoty, e nosso abençoado e inspirador amigo, desde o princípio do Elos, e que esteve presente todos os Guerreiros Sem Armas, trouxe para a roda de conversa o termo tekoá, que significa aldeia guarani, ou ainda, comunidade boa para se viver.
Porém, ele não se refere apenas ao lugar habitado, a maloca, pelo grupo guarani. Literalmente, significa o lugar do modo de ser guarani, sendo esta categoria modo de ser (tekó) entendida como um conjunto de preceitos para a vida, que fazem parte das regras cosmológicas herdados pelos antigos guaranis.
Para construir a maloca é feita uma grande reunião para distribuir as tarefas, buscar recurso e fazer a construção. Tudo é regido por 4 grandes regras:

1. Respeito ao diferente
2. Respeito pela arte de fazer os acordos
3. Entender o profundo significado do que é família, e que não é composta apenas pelos laços consangüíneos, mas pelos moradores, os animais das redondezas, e o próprio lugar onde moram, que é considerado como ago vivo.
4. Reconhecer que somos todos interdependentes.
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Luis Kehl, é arquiteto e autor do livro “Uma breve história da favela”, começou dizendo na roda de conversa da abertura do Festival Elos que é preciso dançar a aldeia, antes de construir a aldeia.
A comunidade nasce de um compartilhamento da cultura, das histórias, da música, se não temos uma ideia em comum, não é possível construir uma comunidade.
Ele mostra através de dois desenhos, um com quadras todas iguais, com as casas no centro, e outro com casas espalhadas, tudo misturado e pergunta onde está a ordem e onde está o caos.

Para surpresa dos participantes, eles diz que o caos está naqueles lugares onde as quadras são todas iguais, como nos conjuntos habitacionais. pois é no caos que você não distingue uma coisa da outra, como as casas que são todas iguais.
A questão é que hoje a sociedade que foi construída por comunidades, poe vínculos comuns, foi substituída pela lógica do consumo. Não há laços afetivos, e sim, fidelização da marca. Como é importante reconhecer os lugares de resistência a estes modelos, como as favelas, a periferia, e os a áreas dos morros.
Assim como começamos o dia com a poesia do Arquimedes Machado, o Kehl terminou recitando a música “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, para mostrar como o consumo ficou no lugar do afeto:
Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contá
Que acá onde agora está
Esse aditício ardo
Era uma casa véia
Um palacete assobradado
Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mas um dia, nós nem pode se alembrá
Veio os homis c’as ferramentas
O dono mandô derrubá
Peguemos todas nossas coisas
E fumos pro meio da rua
Apreciá a demolição
Que tristeza que nós sentia
Cada táuba que caía
Doía no coração
Mato Grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
Os homis tá cá razão
Nós arranja outro lugar
Só se conformemo quando o Joca falou:
“Deus dá o frio conforme o cobertor”
E hoje nós pega páia nas gramas do jardim
E prá esquecê, nós cantemos assim:
Saudosa maloca, maloca querida
Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de nossa vida
Saudosa maloca, maloca querida
Dim-dim donde nós passemos os dias feliz de nossas vidas
O Festival Elos é uma parceria com a Codesp, e tem apoio da EC Juventude da Nova Cintra, G.R.C.E.S.Unidos dos Morros, Paróquia São João Batista, Subprefeitura dos Morros de Santos – PMS, Secretaria de Cultura – PMS, SESC Santos, Sociedade Melhoramentos Morro Nova Cintra, Unisantos. Apoio Institucional ADM

Festival Elos : : vem fazer sua inscrição

Vamos nos encontrar, conversar, colocar a mão na massa e construir – mais uma parte – do mundo que todos sonhamos. 
Vem!
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Em outubro vamos receber muita gente interessante para falar sobre como cultivar comunidade, e tudo isso acontece nos morros da nossa cidade.
O que sonhamos para o Festival é explorar o mais possível o potencial que existe na interação entre território e comunidade. A programação inclui:
Na abertura Rodrigo Rubido é o anfitrião, que ao lado de Kaká Werá e Luis Kehl, falam sobre o cultivo de comunidades como estratégia para a construção do mundo que sonhamos.
Vai ter mesa redonda!
No tema Identidade e Território a Rede Interação, o Observatório de Favelas e o Laboratório da Cidade mergulham na discussão de como o aprendizado é o primeiro passo na construção de comunidade.
Para materializar à discussão, vamos conhecer alguns projetos comunitários inspiradores, ouvindo um pouco sobre como foram realizados, os desafios e sucessos que colecionam. O Instituto Favela da Paz, a escola de Samba Unidos do Morro, a Caiçara Expedições e o documentário Aluguel de Chão – produzido pela comunidade Vila Progresso, compõem esta mesa.
A mesa “Uma Nova Narrativa para o Mundo que todos Sonhamos” é o lugar de pensar sobre formas para pensar no futuro e viver em comunidade. Reginaldo Nasser, Diego Vicentin e Claudia Visone estarão conosco para aprofundar esta conversa.
Vai ter oficina!
Convidamos participantes e moradores  para levar a discussão para a prática: é na Vila Progresso, Nova Cintra e Santa Maria que vamos materializar sonhos coletivos que dão corpo à visão de mundo que estamos construindo.
Felipe Lavignatti e André Deak lideram o oficina de Mapas Afetivos; Renato Marchesini e José Carlos Barros oferecem a oficina de Turismo de Base Comunitária; Alysson Montrezol conduz a oficina de imagem e fotografia; a Rede Interação oferece atividade da Poupança Comunitária; Paulo Von Poser facilita a oficina de Desenho Coletivo, a horta comunitária Bons Frutos oferece a oficina de Horta Urbana, enquanto o Espaço Comunidade vai compartilhar conhecimento na oficina Como Fazer um Sarau Cultural.
Lembrando que tudo isso acontece na semana do dia das crianças, uma oficina foi desenhada especialmente para acolher a brincadeira nos espaços públicos, conduzida por Carla Cardoso, Renata Laurentino,  e Ronaldo Crispim.
E claro, vai ter celebração
Projetos de arte e música que nasceram comunitários, se unem para uma celebração prá lá de espetacular: O Maracatú Quiloa, a Unidos do Morro e a Poesia Samba Soul vão dar o tom da nossa celebração.
Depois de tudo isso, o que você me diz? Já tem programa para 08 a 12 de Outubro?
Sua inscrição você faz através do link www.institutoelos.org/festival.
O Festival Elos é uma parceria com a Codesp, e tem apoio da EC Juventude da Nova Cintra, G.R.C.E.S.Unidos dos Morros, Paróquia São João Batista, Subprefeitura dos Morros de Santos – PMS, Secretaria de Cultura – PMS, SESC Santos, Sociedade Melhoramentos Morro Nova Cintra, Unisantos. Apoio Institucional ADM

Caminho do Sim: de processo seletivo para jogo de transformação

A primeira versão do Caminho do Sim surgiu em 2008, quando era jogado através de blogues. Desde 2014, se tornou origem da nossa plataforma de jogos de transformação, e neste ano, deixou de ser um processo de seleção para o Guerreiros Sem Armas e ser um método de desenvolvimento pessoal, onde é cobrada uma taxa de inscrição de R$ 150.
“Temos 3 pilares centrais neste jogo. Primeiro, as pessoas perceberem o potencial concreto que cada um tem de mudar o mundo. A segunda coisa é a noção que não estamos sós, que fazemos parte de um coletivo maior. Terceiro é apreender como as pessoas se organizam para resolver uma questão”, revela Ricardo Oliveros, co-criador do jogo.
CaminhodoSim
O jogo tem 5 fases, e cada uma tem quatro possibilidades que são representadas por palavras-chaves que descrevem qualidades que podem ser desenvolvidas por aqueles que pretendem fazer parte de algum tipo de transformação social. Por nossa proximidade e várias formações feitas com Kaka Werá, desde 1999, há uma ligação profunda entre as qualidades dos elementos e cada uma das portas.
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A inovação quando migramos para a plataforma é ter todo conteúdo em um único lugar, existir uma interação direta em único espaço, além de possibilitar a mensuração de impactos das ações desenvolvidas pelos participantes.
“Criar esta nova ferramenta responde a uma inquietação de linguagem e senso coletivo. Já que no processo anterior, cada participante escolhia um editor de conteúdo diferente dos outros, a plataforma permitiu desenvolver entre os jogadores o senso de pertencimento de comunidade, além de poder medir quantificar as ações e o impacto gerado. Ao desenvolver um espaço de linguagem unificada, garantiu que a criação estivesse vinculada a expressão coletiva, uso padrão de recursos e o compartilhamento de informações”, Fernando Conte, responsável pela inovação nos recursos da plataforma de jogos de transformação do Elos.
Ao longo das 5 etapas do jogo, existe um processo de comunicação voltada especificamente para os participantes, que é formado por um kit de inspiração para cada etapa, com exemplos que servem de norte para as tarefas. Ao final das fases, tem um vídeo com o consultor Aser Cortines. Os temas que ele trata servem para o jogador tenha a possibilidade de refletir sobre como agiu em cada uma das etapas. Ele fala sobre a importância do propósito, “como domar seu dragão”, comunicação não violenta, inteligências múltiplas, e a respeito de realidades, sonhos e futuro.

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Durante o Caminho do Sim, cada jogador é exposto a uma série de situações e tem a percepção do que aconteceu consigo e com os outros, com quem interagiu. Ao mesmo tempo um grupo de pessoas, um comitê de seleção observa o jogo em detalhes. Estas pessoas conhecem intimamente o teor dos desafios propostos pelo jogo e o seu potencial para inspirar e provocar.
“Este comitê é guiado pela Filosofia Elos e o olhar generoso e cuidadoso sobre como cada um se transforma, formando um conjunto de observações que servem de base para uma conversa de feedback, onde exercitamos contar de forma compassiva o que vimos de qualidades e desafios para cada um dos jovens, ao mesmo tempo oferecemos a escuta atenta, queremos checar se o que foi observado a partir do nosso ponto de vista se alinha com a percepção do jogador. Não é um monólogo é um diálogo, uma experiência de crescimento mutuo que serve para nos apoiar em nossos próximos passos, em qualquer que seja a direção para a qual caminhemos”, revela Val Rocha, que coordena todo processo de comunicação com os jogadores, além do comitê de seleção, quando o Caminho do Sim é jogado com esta intenção, como por exemplo nas versões para a Fundação Arymax, na seleção do programa Jovens Talentos , e para o novo programa do Instituto Reciclar.
Muitos perguntam se depois de jogar uma vez, ainda assim vale a pena repetir todas as etapas. A matriz que compõem o jogo permite que o jogador tenha em cada etapa 4 possibilidades de caminho a seguir. Em termos matemáticos, existem 1024 de combinações diferentes de jogos. Além disso, mais do que uma gama de resultados diferentes, toda a metodologia do Caminho do Sim se apóia em três níveis de relações: eu comigo mesmo, eu com o outro, eu com o mundo. Com isso você aprende a desenvolver um olhar apreciativo sobre si mesmo, sobre o outro, a valorizar o desenvolvimento de projetos coletivos, e perceber que ninguém precisa estabelecer uma atitude competitiva e sim colaborativa para transformar o mundo no lugar que todos sonhamos.